segunda-feira, 13 de agosto de 2012

                   O     BATISMO NÃO E PRÁTICA ESPÍRITA


Estamos ouvindo por muitos séculos, que estamos pagando por uma briga que não foi nossa. Os culpados, segundo a estória tradicional, teriam sido Adão e Eva, expulsos do paraíso por cometerem o pecado da desobediência. A culpa do mitológico casal foi transmitida a todos seus descendentes, que foram impedidos de manter uma comunhão plena com Deus até que se submetam ao ritual do batismo. Mas, que temos nós a ver com Adão e Eva? Como Deus poderia punir duas criaturas tão primitivas, evolutivamente falando, condenando-as eternamente sem perdão? Se Deus, que é Perfeito, Bondoso, Misericordioso, não sabe perdoar, como pode Ele pedir a nós, espíritos (ainda) tão atrasados, para perdoarmos as falhas alheias setenta vezes sete vezes, ou seja, infinitamente? Pessoas pouco esclarecidas chegam ao extremo de dizer que o indivíduo que não se dispõe a aceitar Jesus, submetendo-se ao batismo, não é filho de Deus, mas uma simples “criatura”, algo equivalente a situá-lo como um bastardo no contexto da Criação. Um absurdo! Não era isso que João pretendia com o ato simbólico do batismo no rio Jordão. Ele, além de anunciar a vinda do Cristo, ressaltava ser indispensável o arrependimento, o reconhecimento dos deslizes do passado, para receber as bênçãos que o mensageiro divino traria. A imersão era precedida de uma confissão pública e da profissão de fé do iniciado, que se dispunha à renovação, combatendo as próprias fraquezas. É o que fica evidente, em passagens como estas: “Arrependei-vos, fazei penitência, porque é chegado o reino dos céus”; “Eu na verdade, vos batizo com água para vos trazer à penitência; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo”. Aqui, João deixa claro que, Jesus batizaria as pessoas não mais com água, mas com o Espírito Santo e com o Fogo.
MAS O QUE É O BATISMO COM FOGO E COM O ESPÍRITO SANTO? Batismo de fogo é o esforço de vencermos nossos instintos e hábitos inferiores, procurando praticarmos o bem. Este esforço é uma luta dentro de nós e em meio a tudo e a todos. E o batismo com o Espírito Santo é a sintonia com os benfeitores do plano invisível, através de manifestações mediúnicas ostensivas (ver, ouvir, etc., os desencarnados) ou sutis (pressentir, intuir, etc.). Os discípulos, receberam um magnífico Batismo do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, quando os Espíritos do Senhor se manifestaram através deles, em diversos idiomas, aos habitantes e visitantes de Jerusalém (Atos, cap.2).
POR QUE JOÃO SÓ BATIZAVA ADULTOS? Porque eles tinham do que se arrepender e podiam analisar o certo e o errado para se renovarem moralmente. Outras religiões, pelo medo de não ir para o céu, adotaram a prática de batizar a criança tão cedo quanto possível, ante a possibilidade de morrer prematuramente com a mácula do original pecado, o que seria desastroso para ela. Essa lamentável deturpação do batismo de João constitui grande injustiça. Exemplo: Imaginemos Chico Xavier, um homem que viveu para a caridade, sendo impedido de entrar no céu porque não foi batizado. E, um outro homem que viveu a vida inteira no crime, podendo entrar no céu porque se converteu e foi batizado pouco antes de desencarnar. Onde estaria a Justiça de Deus? Segundo os ensinamentos: “A cada um segundo suas obras”, ou seja, cada um receberá por aquilo que fez, seja batizado ou não.
Os espíritas não usam rituais, porque acham mais importante seguir os ensinamentos. No caso do batismo, por exemplo, as pessoas acham mais fácil copiar o ritual de jogar água sobre a cabeça ou no corpo todo, do que seguir o pedido que João fez ao povo: "QUEM TIVER TÚNICAS, REPARTA COM QUEM NÃO TEM, E QUEM TIVER ALIMENTOS, FAÇA DA MESMA MANEIRA”; aos publicanos (coletores de impostos) orientava dizendo: "NÃO PEÇAIS MAIS DO QUE VOS ESTÁ ORDENADO”; aos soldados aconselhava: "A NINGUÉM TRATEIS MAL NEM DEFRAUDEIS, E CONTENTAI-VOS COM O VOSSO SOLDO”. Infelizmente, muitos espíritas, que não buscam o entendimento espírita, continuam batizando, casando, realizando missa de 7º dia e outros costumes de outras religiões. Mas, quem tem o entendimento sabe que, para os espíritas, o batismo, foi tão somente um divisor de águas, o marco de uma vida nova. Disse Emmanuel que: "A renovação da alma pertence àqueles que ouviram os ensinamentos do Mestre Divino, e que exercitam através da prática. Pois, muitos recebem notícias do Evangelho, todos os dias, mas somente os que ouvem e praticam estarão transformados." E como disse Allan Kardec:“Reconhece-se o espírita, pelo esforço que ele faz para melhorar-se”“O espírita deve ser hoje melhor do que foi ontem, e ser amanhã melhor do que foi hoje.” Este deve ser o batismo de fogo dos espíritas.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012




A Mediunidade

É natural que nos comuniquemos com os espíritos desencarnados e eles conosco, porque também somos espíritos, embora estejamos encarnados.
Pelos sentidos físicos e órgãos motores, tomamos contato com o mundo corpóreo e sobre ele agimos.
Pelos órgãos e faculdades mentais mantemos contato constante com o mundo espiritual, sobre o qual também atuamos.
Todas as pessoas, portanto, recebem a influência dos espíritos.
A maioria nem percebe esse intercâmbio oculto, em seu mundo íntimo, na forma de pensamentos, estados de alma, impulsos, pressentimentos etc.
Mas há pessoas em quem o intercâmbio é ostensivo.
Nelas, os fenômenos são freqüentes e marcantes, acentuados, bem característicos (psicofonia, psicografia, efeitos físicos etc.), ficando evidente uma outra individualidade, a do espírito comunicante.
A essas pessoas, Allan Kardec denomina médiuns.
Médium é uma palavra neutra (serve para os 2 gêneros), de origem latina; quer dizer medianeiro, que está no meio.
De fato o médium serve de intermediário entre o mundo físico e o espiritual, podendo ser o intérprete ou instrumento para o espírito desencarnado.
Mediunidade é a faculdade que permite sentir e transmitir a influência dos Espíritos, ensejando o intercâmbio, a comunicação, entre o mundo físico e o espiritual.
Sendo uma faculdade, é capacidade que pode ou não ser usada.
Sendo natural, manifesta-se espontaneamente, mas pode ser exercitada ou desenvolvida.
Sua eclosão não depende de lugar, idade, sexo, condição social ou filiação religiosa.

Quem apresenta perturbação é médium?

Muitas vezes, ao eclodir a mediunidade, a pessoa costuma dar sinais de sofrimento, perturbação, desequilíbrio.
Firmou-se até um conceito errado entre o povo: se uma pessoa se mostra perturbada deve ter mediunidade.
Entretanto, a mediunidade não é doença nem leva à perturbação, pois é uma faculdade natural.
Se a pessoa se perturba ante as manifestações mediúnicas é por sua falta de equilíbrio emocional e por sua ignorância do que seja a mediunidade, ou porque está sob a ação de espíritos ignorantes, sofredores ou maus.
Não se deve colocar em trabalho mediúnico quem apresente perturbações. Primeiro, é preciso ajudar a pessoa a se equilibrar psiquicamente, através de passes, vibrações e esclarecimentos doutrinários. Deve-se recomendar, também, a visita ao médico, porque a perturbação pode ter causas físicas, caso em que o tratamento será feito pela medicina.
Para o desenvolvimento da mediunidade, somente deve ser encaminhado quem esteja equilibrado e doutrinariamente esclarecido e conscientizado.

Sinais Precursores

A mediunidade geralmente fica bem caracterizada, quando:
  • há comprovada vidência ou audição no plano espiritual;
  • se dá o transe psicofônico (mediunidade falante) ou psicográfico (mediunidade escrevente);
  • há produção de efeitos físicos (sonoros, luminosos, deslocação de objetos) onde a pessoa se encontre.
Mas nem sempre é fácil e rápido distinguir as manifestações mediúnicas, quando em seu início, das perturbações fisiopsíquicas.
Eis alguns sinais que, se não tiverem causas orgânicas, podem indicar que a pessoa tem facilidade para a percepção de fluidos, para o desdobramento (que favorece o transe) ou que está sob a atuação de espíritos:
  • sensação de "presenças" invisíveis;
  • sono profundo demais, desmaios e síncopes inexplicáveis;
  • sensações ou idéias estranhas, mudanças repentinas de humor, crises de choro;
  • "ballonement" (sensação de inchar, dilatar) nas mãos, pés ou em todo o corpo, como resultado de desdobramento perispiritual;
  • adormecimento ou formigamento nos braços e pernas;
  • arrepios como os de frio, tremores, calor, palpitações.

Como Desenvolver a Mediunidade

Do ponto de vista espírita, desenvolver mediunidade não é apenas sentar-­se à mesa mediúnica e dar comunicações.
É apurar e disciplinar a sensibilidade espiritual, a fim de tê-la nas melhores condições possíveis de manifestação, e aprender a empregá-la dentro das melhores técnicas e visando as finalidades mais elevadas.
Esse desenvolvimento mediúnico abrange providências de natureza tríplice:
  1. Doutrinária.
    O médium precisa conhecer a Doutrina Espírita para compreender o Universo, a si mesmo e aos outros seres, como criaturas evolutivas, regidas pela lei de causa e efeito.
    Atenção especial será dada à compreensão do intercâmbio mediúnico, ação do pensamento sobre os fluidos, natureza e situações dos espíritos no Além, perispírito e suas propriedades na comunicação mediúnica, tipos de mediunidade, etc.
  2. Técnica.
    Exercício prático, à luz do conhecimento espírita, para que o médium saiba distinguir os tipos dos espíritos pelos seus fluidos, como concentrar ou desconcentrar, entender o desdobramento, controlar-se nas manifestações e analisar o resultado delas, etc.
    Observação: quando se inicia a prática mediúnica, pode ocorrer de os sinais precursores se intensificarem e ampliarem. Não pense o médium que seu estado piorou. É que os espíritos estão agindo sobre os centros de sua sensibilidade e preparando o campo para as atividades mediúnicas.Persevere o médium, mantendo o bom ânimo e aos poucos, com a educação de suas faculdades, as sensações ficarão bem canalizadas, não mais causando perturbações.
  3. Moral.
    É indispensável a reforma íntima para que nos libertemos de espíritos perturbadores e cheguemos a ter sintonia com os bons espíritos, dando orientação superior ao nosso trabalho mediúnico.
    A orientação cristã, à luz do Espiritismo, leva-nos à vigilância, oração, boa conduta e à caridade para com o próximo, o que atrairá para nós assistência espiritual superior.

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DESENVOLVIMENTO MEDIUNICO

Introdução:

No Cap. XVII do livro dos Médiuns, Allan Kardec, esclarece se tratar este capítulo, "Da formação dos Médiuns", ao desenvolvimento dos médiuns escreventes, por se tratar do gênero de mediunidade mais simples, mais cômodo, que dá resultados mais satisfatórios e mais completos e, especialmente por ser o mais espalhado na época. No entanto, não iremos nos limitar ao desenvolvimento apenas deste tipo de mediunidade porque o objetivo desse estudo é verificar o desenvolvimento dos médiuns em geral (psicógrafos, psicofônicos, etc). Assim. Tiraremos do capítulo acima citado, as instruções que servem como normas gerais de desenvolvimento e passaremos em seguida ao estudo do processo de desenvolvimento mediúnico espírita-cristão.

Ä Orientação Geral do Desenvolvimento da Mediunidade:

Têm-se procurado processos para a formação de médiuns, como se têm procurado diagnóstico para a mediunidade. Porém é importante que procuremos orientações nitidamente espíritas, esclarecedoras e seguras, a fim de que o desenvolvimento da mediunidade se efetue normal e equilibradamente e, ainda, que o médium o faça com conhecimento de causa, para evitar os percalços e os desenganos.

O candidato à médium deve antes de tudo verificar se possui a faculdade, através de indícios que poderão ser caracterizados como sintomas da mediunidade. Todavia, é importante saber que estes sintomas não são uniformes e padrozinados, mas, se apresentam de múltiplas maneiras, não se podendo diagnosticar a existência da faculdade mediúnica com absoluta certeza, apenas por estes sintomas.

Porém, se a faculdade for identificada, o candidato à médium deverá recorrer a meios seguros, em locais que lhe inspirem segurança e certeza da real prática mediúnica espírita, pois uma faculdade em vias de desenvolvimento requer boa orientação, pois em caso contrário, ou seja, mal orientada é canal de perturbação.

"O desejo natural de todo aspirante a médium é o de poder confabular com os Espíritos das pessoas que lhe são caras; deve, porém, moderar sua impaciência, porquanto a comunicação com determinado Espírito apresenta muitas vezes dificuldades materiais que a tornam impossível ao principiante". (Obstáculos da própria organização mediúnica em desabrochamento e das condições espirituais da entidade). Daí o não aconselhamento da evocação ostensiva de certos Espíritos, deixando à Sabedoria Divina agir através dos Orientadores Espirituais do desenvolvimento da faculdade do médium.

"Para que um Espírito possa comunicar-se, preciso é, que haja entre ele e o médium relações fluídicas, que nem sempre se estabelecem instantaneamente. Só a medida que a faculdade se desenvolve, é que o médium adquire pouco a pouco a aptidão necessária para pôr-se em comunicação com o Espírito que se apresente. Pode dar-se, pois, que aquele que o médium deseje comunicar-se, não esteja em condições propícias a fazê-lo, embora se ache presente, como também pode acontecer que não tenha possibilidade, nem permissão para acudir ao chamado que lhe é dirigido. Daí a razão pela qual ninguém deva teimar em chamar determinado Espírito, "pois amiúde sucede não ser com esse que as relações fluídicas se estabelecem mais facilmente, por maior que seja a simpatia que lhe vote o encarnado. Antes, pois, de pensar em obter comunicações de tais ou tais Espírito, importa que o aspirante leve a efeito o desenvolvimento de sua faculdade, para o que deve fazer um apelo geral e dirigir-se principalmente ao seu anjo guardião.

As condições mais importantes que devem ser observadas no desenvolvimento de uma faculdade mediúnica são: "a calma e o recolhimento, juntas ao desejo ardente e a firme vontade de conseguir-se o intuito. Por vontade, não entendemos aqui uma vontade efêmera, que age com intermitências e que outras preocupações interrompem a cada momento; mas, uma vontade séria, perseverante, contínua, sem impaciência, sem febricitação. A solidão, o silêncio e o afastamento de tudo o que possa ser causa de distração favorecem o recolhimento" (concentração). O exercício com regularidade, assíduo, e sério é fundamental no desenvolvimento mediúnico.

"Para se evitarem tentativas inúteis, pode consultar-se, por outro médium, um Espírito sério e adiantado". A pergunta, entretanto, deve ser bem elaborada para que o Espírito possa responder exatamente o que se quer saber, pois se inquirirmos aos Espíritos se somos médiuns, eles responderão afirmativamente, uma vez que a mediunidade é inerente ao ser humano. Porém, se perguntarmos exatamente se somos escreventes a respostas poderá ser mais clara. "Deve-se levar em conta a natureza do Espírito a quem é formulada a pergunta. Há os tão levianos e ignorantes, que respondem a torto e a direito, como verdadeiros estúrdios".

O desenvolvimento mediúnico dentro de um grupo organizado para tal fim, apresenta uma série de condições favoráveis."Os que se reúnem com um intento comum formam um todo coletivo, cuja força e sensibilidade se encontrem acrescidas por uma espécie de influência magnética", que satura o ambiente de fluidos propícios e, "entre os Espíritos, atraídos por esse concurso de vontades, estarão, provavelmente, alguns que descobrirão nos assistentes o instrumento que lhes convenha".

"No médium aprendiz, a fé não é a condição rigorosa; sem dúvida lhe secunda os esforços, mas não é indispensável; a pureza de intenção, o desejo e a boa-vontade bastam. Têm-se visto pessoas inteiramente incrédulas ficarem espantadas de escrever a seu mau grado, enquanto que crentes sinceros não o conseguem, o que prova que esta faculdade se prende a uma disposição orgânica.

Nos médiuns psicográficos, "o primeiro indício de disposição para escrever é uma espécie de frêmito no braço e na mão. Pouco a pouco a mão é arrastada por um impulso que ela não logra dominar. Muitas vezes, não traça senão riscos insignificantes; depois, os caracteres se desenham cada vez mais nitidamente e a escrita acaba por adquirir a rapidez da escrita ordinária. Em todos os casos, deve-se entregar a mão ao seu movimento natural e não oferecer resistência, nem propeli-la".

"Alguns médiuns escrevem desde o princípio correntemente com facilidade, às vezes mesmo desde a primeira sessão, o que é muito raro. Outros, durante muito tempo, traçam riscos e fazem verdadeiros exercícios caligráficos. Dizem os Espíritos que é para melhor soltar a mão. Em se prolongando demasiado esses exercícios, ou degenerando na grafia de sinais ridículos, não há duvidar de que se trata de um Espírito que se diverte, porquanto os bons Espíritos nunca fazem nada que seja inútil. Nesse caso, cumpre redobrar de fervor no apelo à assistência destes. Se, apesar de tudo, nenhuma alteração houver, deve o médium parar, uma vez reconheça que nada de sério obtém... Há médiuns cuja faculdade não pode produzir senão esses sinais. Quando ao cabo de alguns meses, nada mais obtém do que coisas insignificantes, ora um sim, ora um não ou letras sem conexão é inútil continuarem.. São médiuns, mas médiuns improdutivos.

"O escolho com que topo a maioria dos principiantes é o de terem de haver-se com Espíritos inferiores (veja a Escala Espírita em "O livro dos Espíritos") e devem dar-se por felizes quando não são Espíritos levianos. Toda atenção precisam pôr, em que tais Espíritos não assumam predomínio, porquanto, em acontecendo isso, nem sempre lhes será fácil desembaraçar-se deles. É ponto esse de tal modo capital, sobretudo em começo, que, não sendo tomadas às precauções necessárias, podem perder-se os frutos das mais belas faculdades".

"A primeira condição é colocar-se o médium, com fé sincera, sob proteção de Deus e solicitar a assistência de seu anjo de guarda, que é sempre bom... A segunda condição é aplicar-se, com meticuloso cuidado, a reconhecer, por todos os indícios que a experiência faculta, de que natureza são os primeiros Espíritos que se comunicam e dos quais manda a prudência sempre se desconfie. Se forem suspeitos esses indícios, dirigir fervoroso apelo ao seu anjo de guarda e repelir, com todas as forças, o mau Espírito, provando-lhe que não conseguirá enganar... Por isso é que indispensável se faz o estudo prévio de teoria, para todo aquele que queira evitar os inconvenientes peculiares à experiência".

"Se é importante não cair o médium, sem o querer, na dependência dos maus Espíritos, ainda mais importante é que não caia por espontânea vontade. Preciso, pois, se torna que imoderado desejo de ser médium não o leve a considerar indiferente dirigir-se ao primeiro que apareça, salvo para mais tarde se livrar dele, caso não convenha, por isso que ninguém pedirá impunemente, seja para o que for, a assistência de um mau Espírito, o qual pode fazer que o imprudente lhe pague caro os serviços".

O médium, mesmo com a faculdade desenvolvida, jamais poderá "crer-se" dispensado de qualquer instrução mais, porquanto apenas terá vencido uma resistência material. Do ponto a que chegou é que começam as verdadeiras dificuldades, é que ele mais do que nunca precisa dos conselhos da prudência e da experiência, se não quiser cair nas mil armadilhas que lhe vão ser preparadas. Se pretender muito cedo voar com suas próprias asas, não tardará em ser vítima de Espíritos mentirosos, que não se descuidarão de lhe explorar a presunção ".

"Uma vez desenvolvida a faculdade, é essencial que o médium não abuse dela... Devem (os iniciantes) lembrar-se de que ela lhes foi dada para o bem e não para satisfação de vã curiosidade. Convém, portanto, que só se utilizem dela nas ocasiões oportunas e não a todo o momento. Não lhes estando os Espíritos ao dispor a toda hora, correm o risco de serem enganados por mistificadores. Bom é que, para evitarem esse mal, adotem o sistema de só trabalhar em dias e horas determinados, porque assim se entregarão ao trabalho em condições de maior recolhimento e os Espíritos que os queiram auxiliar, estando prevenidos, se disporão a prestar esse auxilio.

"Se, apesar de todas as tentativas, a mediunidade não se revelar de modo algum, deverá o aspirante renunciar a ser médium, como renuncia ao canto quem reconhece não ter voz".

Ä Processo de Desenvolvimento Mediúnico Espírita-Cristão:

Allan Kardec define como ESPIRITA CRISTÃO, ou verdadeiros Espíritos, aqueles que não se contentam com admirar a moral espírita, que a praticam e lhe aceitam todas as conseqüências. Aproveitam todos os breves instantes da vida terrena para avançar pela senda do progresso, esforçando-se por fazer o bem e coibir seus maus pensamentos. A caridade é tudo, a regra de proceder a que obedecem. ( O Livro dos Médiuns, 1a. Parte, capítulo III, item 28).

Sob o ponto de vista espírita a mediunidade é uma iniciação religiosa das mais sérias; é um mandato que nos é outorgado pela Espiritualidade superior, a fim de ser fielmente desempenhado. Dessa forma, o aspirante à mediunidade, à luz da Doutrina Espírita, deve partir da conscientização de seus ensinamentos e esforçar-se desde o início de sua formação e informação mediúnica, por ser um ESPIRITA CRISTÃO.

Ä Fundamentos para o Desenvolvimento Mediúnico:

O desenvolvimento mediúnico deve fundamentar-se nos processos que se seguem:

O culto do Evangelho no Lar:

"É a renovação do clima espiritual do lar sob as luzes do Evangelho Redivivo, porque o lar é a usina maior das energias de que somos carentes para o nosso trânsito terreno e é onde compensamos nossas vibrações psíquicas em reajustamento... Evangeliza os Espíritos, nossos desafetos que se julguem conosco em todas as nossas atividades cotidianas".

Para o culto, as providências são simples:

I Um volume de "O Evangelho Segundo o Espiritismo";

II Um dia certo por semana;

III Um cômodo onde todos os familiares se reúnem.

Sua realização também é singela:

Inicia-se por uma prece, preferentemente uma oração feita de improviso por um dos presentes, por ser mais afetivo;
Abre-se o livro ao chamado acaso;
Leitura em voz alta do trecho aberto;
Comentários sobre o mesmo pelos presentes;
Encerramento com uma prece de agradecimento pela orientação noturna, podendo alongar-se os comentários, depois, sobre a lição, enquanto houver interesse e for oportuno. Evitar no culto, qualquer manifestação que o confunda com sessão mediúnica.
O culto da Assistência:

"Rompimento com o egoísmo, compelindo-nos a interessar-nos pelo próximo, auxiliando-o nos seus lances expiatórios, probatórios ou missionários, até o limite de nossa capacidade de servir" (grupo de costura, socorro fluídico pelo passe, visita aos enfermos, amparo aos órfãos, cooperação com as obras de assistência, conforto moral aos desesperados, etc).

Reforma Íntima:

"Revisão e reconstrução dos hábitos, permutando os vícios por virtudes legitimamente cristãs que são as únicas que sobreviverão eternamente e que nos abrirão as portas de Planos mais elevados que os atuais".

Templo Espírita:

"Aniquilamento do orgulho, levando-nos a viver em circunstâncias e agrupamentos humanos que nos permitirão o exercício da humildade legítima, entrosando-nos em trabalhos de equipe com esquecimento de nós mesmos. Evitemos as sessões espíritas nos lares. A organização espiritual não se improvisa". O ambiente do Centro Espírita esta em permanente ação e é formado como um posto de socorro diverso, sob a orientação e desempenho dos bons Espíritos.

Estudo Coletivo:

"Reunidos semanalmente aos companheiros, evitaremos, no compulsar os livros doutrinários, de emprestar-lhes o colorido de nossas paixões e preferências particulares e, apesar de sua suficiente clareza, evitaremos emprestar-lhes interpretações laterais ou desvirtuadas".

Dentro destes critérios de desenvolvimento da mediunidade, mesmo que nenhuma faculdade venha a desabrochar, tenhamos a certeza que estaremos desenvolvendo-nos espiritualmente e capacitando-nos para a verdadeira mediunidade com Jesus – a Mediunidade do Bem.





Este folheto foi idealizado para você, prezado leitor, que tem sede de conhecimentos novos sobre a vida. Visa, despretensiosamente, traçar um quadro preliminar, embora panorâmico, do que seja a DOUTRINA DOS ESPÍRITOS, de que tanto se fala e pouco se conhece.
Sem intuitos proselitistas, isto é, sem querer convencer a quem quer que seja, e com o respeito e consideração que merecem os profitentes de todos os credos, a DOUTRINA ESPÍRITA deseja fazer-se conhecida, com o propósito de cumprir sua elevada missão, que visa a transformação da humanidade, pela melhoria das massas, através do gradual aperfeiçoamento dos indivíduos.
Em primeiro lugar, é preciso desaprender o que se aprendeu errado, derrubando mitos e destruindo preconceitos gerados pela ignorância e ou pela má fé de alguns, pois "todo espírita é espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita ou espiritista".
Daí para a frente, fica por conta de seu livre-arbítrio, de seu esforço, de sua inteligência...

II - O QUE É ESPIRITISMO?


"Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. - Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito."

(João, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26).
O ESPIRITISMO é a Revelação prometida pelo CRISTO DE DEUS para os séculos em que a Humanidade alcançasse um grau de assimilação mais elevado, de maior amadurecimento. O esquecimento da Verdade e as distorções premeditadas que a mensagem evangélica sofreu ao longo dos tempos também são determinantes do advento do CONSOLADOR.
Por meio de provas irrecusáveis, o ESPIRITISMO comprova a existência e a natureza do Mundo Espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo.
Difere o ESPIRITISMO de todas as religiões conhecidas, por demonstrar a lógica de seus ensinos através de experiências científicas documentadas por uma legião de sábios de renome internacional. Além de confirmar osensinamentos básicos de todas as religiões, não pretende demolir ou combater as que o precederam. Antes, reconhece a necessidade da existência delas para grande parte da Humanidade, cuja evolução se processa lenta e gradualmente.
Em suma, nada diz em contrário do que ensinou JESUS, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros a toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica, porque é certo que, há dois mil anos atrás, ainda havia muita coisa a ser dita, mas o povo ainda não estava preparado (João, Cap. XIV, v. 7 e Cap. 16, v. 12) para recebê-las.
Chama os homens à observância da Lei, fazendo compreender o que JESUS só disse por parábolas. O próprio CRISTO advertiu: "Ouçam os que têm ouvidos para ouvir". O ESPIRITISMO vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios, cumprindo a promessa de JESUS de que não mais nos falaria por comparações (João, Cap. XVI, v. 25).
Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.
Assim, o ESPIRITISMO realiza o que JESUS disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo com que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da Lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.

II.1 - COMO SURGIU O ESPIRITISMO?


"Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões, e os velhos sonhos."

(Atos, Cap. II, vv. 17 e 18).
Revelada pelos Espíritos Superiores, mensageiros de JESUS, através de médiuns, e organizada, compilada e codificada por um educador francês, de nome ALLAN KARDEC, também é conhecida como a Doutrina da Terceira Revelação, depois de MOISÉS e do próprio CRISTO.
A Doutrina Espírita, portanto, não está personalizada em KARDEC, como aconteceu com MOISÉS e CRISTO, nas duas primeiras revelações, mas se trata de um ser coletivo, do qual KARDEC foi o instrumento de que se serviu o Alto para completar a mensagem de CRISTO, que ele mesmo havia prometido.
Os fenômenos psíquicos, tão velhos quanto o mundo, só atraíram a atenção dos intelectuais e pesquisadores, quando surgiram os ocorridos no vilarejo de HYDESVILLE, Estado de Nova Iorque, em 31-12-1848, na América do Norte.
O acontecimento de Hydesville repercutiu na Europa, despertando as consciências e, ao lado dos fenômenos das "mesas girantes e falantes", ocorridos entre 1853 e 1855, preparou o advento do Espiritismo. Naquela época, em cumprimento às profecias, o mundo assistia perplexo, a uma verdadeira "invasão organizada" dos espíritos.
A época oficial da instituição do Espiritismo, como Doutrina, somente aconteceu em 18-4-1857, data do lançamento do "LIVRO DOS ESPÍRITOS", ditado pelos espíritos superiores, e compilado por KARDEC.
É importante observar que o aparecimento do Espiritismo no Planeta só se deu após a grande revolução dos transportes e das comunicações, na primeira metade do século XIX, no auge do movimento positivista, ocorrido na Europa.
A Humanidade já havia alcançado um estágio de entendimento suficiente para estudar tais fenômenos, à luz dos conhecimentos científicos até então adquiridos, com destaque para os princípios do Magnetismo e a Eletricidade.

II. 2 - ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS DO CODIFICADOR


"Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre, esta é a Lei."

(KARDEC)
Aclamado pelo astrônomo CAMILLE FLAMMARION como o "BOM SENSO ENCARNADO" , ALLAN KARDEC reencarnou em Lião, França, aos 03 de outubro de 1804. Seu nome verdadeiro era HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL, tendo estudado na Suíça como discípulo do célebre professor PESTALLOZZI.
Poliglota e autor de várias obras de ciências exatas e língua francesa, era filho de tradicional família de magistrados e professores.
Fundou, em Paris, a 1-4-1858, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, onde se dedicou, durante vários anos, à publicação da Revista Espírita (Revue Spirite - Journal D’études Psychologiques), em que, com o concurso de vários estudiosos e cientistas de renome, publicava o resultado de suas experiências científicas a respeito da nova Doutrina.
Encarregado da codificação do Espiritismo, por determinação do Mundo Maior, quando contava, aproximadamente, 50 anos, adotou, na busca da Verdade, o método intuitivo-racionalista pestallozziano, na análise dos fatos pela observação, pela experiência e analogia, através do critério INTUITIVO, isto é, do particular para o geral.
A partir desses critérios, observados com rigor científico, compilou e codificou as cinco obras básicas do Espiritismo:
1o) 1857 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS (cunho filosófico).
2o) 1861 - O LIVRO DOS MÉDIUNS (cunho prático/experimental).
3o) 1864 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (cunho moral)
4o) 1865 - O CÉU E O INFERNO (estudo sobre a situação da alma durante e após a morte e sobre as penalidades e recompensas futuras).
5o) 1868 - A GÊNESE (estudo sobre a criação do Universo, segundo as leis da Natureza).
Depois de intensa atividade, em que se dedicou com amor, lealdade, afinco e esforço heróico à causa, ALLAN KARDEC desencarnou em Paris, a 31 de março de 1869.

II.3 - ASPECTO TRÍPLICE DO ESPIRITISMO


"Para Crer, não basta ver. É preciso, sobretudo, COMPREENDER."

A DOUTRINA ESPÍRITA está fundamentada em aspecto tríplice, que abrange a Ciência, a Filosofia e a Religião.

II.3.A - CIÊNCIA

"Fé sólida é aquela que pode encarar a razão face a face."
(KARDEC)
O Espiritismo é Ciência, porque estuda, à luz da razão e dentro de critérios científicos, os fenômenos mediúnicos, isto é, fenômenos provocados pelos espíritos e que não passam da fatos naturais. Não existe o sobrenatural e o milagre no Espiritismo. Todos os fenômenos, por mais estranhos que pareçam, têm explicação lógica. São, portanto, de ordem natural. As Leis Divinas são imutáveis. Assim, não é preciso revogá-las para convencer os homens incrédulos.
No aspecto científico, o Espiritismo demonstra experimentalmente a existência da alma e sua imortalidade, principalmente através do intercâmbio mediúnico entre os encarnados e os desencarnados, isto é, entre o plano físico e o plano espiritual.
O Espiritismo, termo empregado por KARDEC, para distinguir a Doutrina de outras correntes espiritualistas, não é uma concepção pessoal, nem o resultado de um sistema preconcebido. É a resultante de milhares de observações em todos os pontos do Globo e que convergiram para um centro que as coligiu e coordenou. Todos os seus princípios constitutivos, sem exceção de nenhum, são deduzidos da experiência. Esta sempre precedeu a teoria.

II.3.B - RELIGIÃO

"Não creio porque creio, CREIO PORQUE SEI."
Dizemos, também, que o Espiritismo é religião, porque tem por fim a transformação moral do homem, retomando os ensinamentos de CRISTO, para que sejam aplicados na vida diária de cada pessoa. Revive o Cristianismo na sua verdadeira expressão de amor e caridade, religando a criatura à sua origem divina.
A fé espírita é a "FÉ RACIOCINADA". Seu lema é "FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO", aqui significando "evolução espiritual". Não diz "Fora do Espiritismo Não Há Salvação", porque a Doutrina dos Espíritos admite que não está numa crença, pura e simplesmente, a condição indispensável para alguém ser "salvo", pois qualquer um - seja qual for sua crença ou mesmo não tendo crença alguma - pode alcançar sua própria redenção, desde que observe as leis de Deus.
caridade não é, como muita gente pensa, pura e simplesmente prestar auxílio material aos necessitados. Abrange, inclusive, três requisitos essenciais:
  1. BENEVOLÊNCIA para com todos;
  2. INDULGÊNCIA (isto é, compreensão) para com as falhas do próximo, o que não implica em cumplicidade com o erro; e
  3. PERDÃO às faltas alheias.
caridade é a maior das virtudes, porque proporciona aos homens colocar em prática o mandamento essencial que consubstancia os demais: "AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO".
O Espiritismo não possui culto material, não tem rituais nem cerimônias, não possui sinais cabalísticos ou símbolos, não admite o uso de imagens, não possui sacerdotes nem ministros.
Não admite nenhuma rotulação. Assim, não existem "Espiritismo de Umbanda" "Espiritismo de Mesa Branca", "Baixo Espiritismo", "Espiritismo Kardequista". É Espiritismo, simplesmente. O que fugir da Codificação, deixa de ser Espiritismo.
É no seu aspecto religioso que repousa a sua grandeza divina, por constituir a RESTAURAÇÃO DO EVANGELHO DE JESUS, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza de seu futuro espiritual. De nada valeria todo o conhecimento científico do mundo sem a prática da caridade...

II.3.C - FILOSOFIA

"Estas coisas vos tenho dito por meio de figuras; vem a hora quando não mais vos falarei por comparações."
(JOÃO, Cap. 16, v. 25)
O Espiritismo é uma filosofia porque, a partir dos fenômenos espíritas e dos fatos, dá uma interpretação da vida, explicando o porquê das dores, dos sofrimentos e das desigualdades entre as criaturas.
Neste aspecto, enquadra-se o estudo dos problemas da origem e destinação dos homens, bem como a existência de uma suprema inteligência, causa primária de todas as coisas.
Para todo efeito existe uma causa, e esta causa pode estar nesta ou em vidas anteriores.
Toda doutrina que dá uma interpretação da vida, uma concepção própria do mundo, é uma filosofia.

III - DISTINÇÃO ENTRE MOVIMENTO ESPÍRITA E DOUTRINA ESPÍRITA

"Brasil, coração e celeiro do mundo, Pátria do Evangelho."
É de vital importância que não se confunda Doutrina Espírita com Movimento Espírita.
Doutrina Espírita é o conjunto dos princípios básicos codificados por ALLAN KARDEC, que constituem o Espiritismo. Esses princípios estão contidos nas obras fundamentais, complementadas por vasta e profunda literatura.
Movimento Espírita é outra coisa. É o conjunto de atividades desenvolvidas, organizadamente, pelos espíritas, para pôr em prática a Doutrina Espírita, através de instituições, encontros fraternos, congressos, palestras, edições de livros, etc. O Movimento Espírita é, portanto, um meio para se aplicar a Doutrina Espírita, em todos os sentidos, para se divulgar os seus princípios e se exercitar a vivência de suas máximas.
A Doutrina Espírita, em si, está imune de deturpações, o que não acontece com o Movimento Espírita que, por ser ummovimento livre de pessoas, sem obrigações de obediência compulsória a hierarquias religiosas que não possui, não goza da mesma imunidade, exigindo, em razão disso, de cada espírita em particular, de cada grupo ou instituição espírita, uma VIGILÂNCIA PERMANENTE, no mais alto sentido, para que nenhuma deturpação comprometa a pureza dos ideais abraçados.
Quase sempre há diferença entre os princípios de uma doutrina - seja ela qual for - e o comportamento de seus adeptos, porque, sendo espíritos em evolução, estão sujeitos a erros.
A Doutrina Espírita tem seu roteiro inconfundível, consubstanciado nas obras básicas e na vasta literatura suplementar, que abrange todas as áreas de conhecimento.
No Brasil, a importância do Movimento Espírita está ligada à sua missão de "PÁTRIA DO EVANGELHO", visando, dentro do ideal cristão e pelo exemplo, espiritualizar o ser humano, espalhando com os seus labores e sacrifícios as sementes produtivas na construção da sociedade do futuro.
O Centro Espírita, como célula do Movimento Espírita, constitui-se em abençoada escola de almas, em lar de solidariedade humana, em "templo de corações", onde se pratica o ESTUDO, a FRATERNIDADE, a ORAÇÃO e o TRABALHO, com base no Evangelho de JESUS, à luz da Doutrina Espírita.
A grande baliza dos esforços da Unificação do Movimento Espírita é, ainda, aquela palavra de ordem do Espírito da Verdade:
"ESPÍRITAS! AMAI-VOS, ESTE O PRIMEIRO MANDAMENTO; INSTRUÍ-VOS, ESTE O SEGUNDO."
A razão de ser do Movimento Espírita só pode ser a divulgação e a prática da Doutrina Espírita. É nesse sentido que todas as potencialidades dos espíritas devem ser canalizadas, isto é, para a DIFUSÃO DO EVANGELHO REDIVIVO, à luz da imortalidade e da reencarnação, da justiça e do inesgotável amor divino.

IV - PRINCÍPIOS BÁSICOS DA DOUTRINA ESPÍRITA

"Aquele que crê em mim fará também as obras que faço, e outras maiores fará."
(JOÃO, Cap. 14, v. 12).
A força da Doutrina Espírita está em seus princípios e na sua permanente possibilidade de comprovação. São eles: a existência, a unicidade, a justiça e a onipotente e paternal bondade de Deus; a imortalidade; a comunicabilidade dos espíritos; a reencarnação; e a evolução universal e infinita.

IV.1 - A Existência de DEUS

"O Reino de DEUS está dentro de vós."
DEUS existe. É a origem e o fim de tudo. "DEUS é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom."
"Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais..."
DEUS é a causa primária de todas as coisas. DEUS é a suprema perfeição, com todos os atributos que a nossa imaginação possa conceber, e muito mais...
Não podemos ainda conhecer a Sua natureza, porque somos imperfeitos, pois uma inteligência limitada e imperfeita como a nossa não poderia abranger o conhecimento ilimitado e perfeito, que é DEUS, apesar de vivermos e nos movermos Nele...
DEUS é a inteligência das inteligências; a consciência das consciências; a causa das causas; o princípio dos princípios; a razão das razões...

IV.2 - Imortalidade


"Onde está, oh morte, a tua vitória? Onde está, oh morte, o teu aguilhão?"

(Coríntios, Cap. XV, v. 55).
Todas as religiões pregam a imortalidade. A Doutrina Espírita vem comprovar a imortalidade, resgatando o Espírito da matéria; matando a morte.
"O mundo espiritual é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo".
Logo, a nossa pátria verdadeira é a espiritual. O mundo físico é apenas uma escola, onde burilamos o espírito. De lá viemos e para lá um dia retornaremos em definitivo, após sucessivas reencarnações, quando tivermos depurado completamente o nosso espírito.
Antes de sermos seres humanos, filhos de nossos pais, somos, na verdade, espíritos, filhos de DEUS. O Espírito é o princípio inteligente do Universo, criado por DEUS, simples e ignorante, para evoluir até a emancipação da alma e do intelecto, pelos seus próprios esforços. ("A cada um segundo suas obras").
"A alma é um espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório."
Por ocasião da nossa morte, o que morre é o corpo, invólucro material do espírito, à semelhança de uma roupa velha que não se usa mais, passando o espírito para outras dimensões vibratórias, compatíveis à sua condição espiritual: "Na casa de meu Pai há muitas moradas." (JOÃO, Cap. 14, vv. 1-2).
Quando o espírito está na vida do corpo, dizemos que é uma alma ou espírito encarnado. Quando nasce, dizemos que reencarnou; quando morre, que desencarnou. Desencarnado, isto é, liberto da carne, volta para o Plano Espiritual ou Espiritualidade, de onde veio ao nascer.
"Se a morte fosse a dissolução completa do homem, muito ganhariam com a morte os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, da alma e dos vícios. Aquele que guarnecer a alma, não de ornatos estranhos, mas com os que lhe são próprios, só esse poderá aguardar tranqüilamente a hora da sua partida para o outro mundo."
"No espírito atrasado, a vida material prevalece sobre a espiritual. Apegando-se às APARÊNCIAS, o homem não distingue a vida além do corpo, embora esteja na alma a VIDA REAL; aniquilado aquele, tudo se lhe afigura perdido, desesperado..."
Portanto, o apego excessivo aos bens materiais nos distancia de DEUS e da compreensão de nosso destino espiritual. Somos meros detentores provisórios dos bens materiais, simples usufrutuários, que nos são dados de empréstimo por DEUS, como instrumento do progresso intelectual e moral.

IV.3 - Comunicabilidade dos Espíritos


"A letra mata, o espírito, ao contrário, vivifica."

(Romanos, Cap. 2, vv. 25-29).
O espírito desencarnado pode comunicar-se com os "vivos", se puder e se DEUS permitir. Essa comunicação, no caso ostensiva, depende do tipo de mediunidade ou de faculdade do médium: pode ser pela fala (psicofonia); pela escrita (psicografia); por batidas (tiptologia); materializações, etc.
Mas, toda e qualquer comunicação não deve ser aceita cegamente; precisa ser encarada com reserva, examinada com o devido cuidado, para não sermos vítimas de espíritos enganadores e da mistificação dos "vivos". A comunicação varia de acordo com a conduta moral do médium. Se for uma pessoa idônea, de bons princípios morais, oferece campo para a aproximação e manifestação de bons espíritos.
Os espíritos são seres humanos desencarnados, que levam para o outro lado suas paixões, suas tendências, suas virtudes, seus defeitos, enfim, a soma de seu estágio evolutivo. Eles são o que eram quando "vivos": bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou mentirosos. Estes fatores, conseqüentemente, determinam a categoria e a natureza das comunicações espirituais.
Os espíritos estão por toda parte. Não estão ociosos. Pelo contrário, têm suas ocupações, como nós, os encarnados, temos as nossas, e somos influenciados por eles mais do que suspeitamos. Logo, eles podem ser considerados uma das forças da Natureza, pela ligação fluídico-psíquica, de característica eletromagnética, que intercambiam conosco.
A Doutrina Espírita alerta as pessoas contra as mistificações e contra os falsos médiuns, que tentam iludir o público menos avisado em troca de vantagens materiais.
Mediunidade e Espiritismo não se confundem. A mediunidade sempre existiu e pode se manifestar em qualquer meio, crédulo ou não.
"Os espíritos encarnados habitam os diferentes Globos do Universo..." DEUS não faz nada que seja inútil. Os bilhões de estrelas que pintam a cúpula celeste, no período noturno, não foram feitos apenas para enfeitar nossos olhos."
"Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo..."
"As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, das palavras ou das outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumento..."
"A moral dos Espíritos Superiores se resume, como a do CRISTO, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações."

IV.4 - Reencarnação

"Ninguém pode ver o reino de DEUS se não nascer de novo."
(JOÃO, Cap. III, vv. 1-12)
O princípio fundamental do Espiritismo é a REENCARNAÇÃO ou Doutrina das Vidas Sucessivas. É a Reencarnação a chave de todos os mistérios, a solução de todos os problemas que sempre afligiram a Humanidade, a resposta para todos os porquês da existência, revelando a natureza do destino dos homens, mostrando a razão das desigualdades entre os seres humanos, apresentando, assim, DEUS como um Pai infinitamente bondoso, justo, imparcial...
A Lei dos renascimentos, também conhecida nos meios científicos como PALINGENESIA, explica e completa o princípio da imortalidade.
Criado simples e ignorante, o espírito é quem decide e cria o seu próprio destino. Para isso, é dotado do livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal. Desse modo, ele tem a possibilidade de se desenvolver, evoluir, aperfeiçoar-se, de tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos.
Para alcançar essa evolução, requer-se aprendizado, e o espírito só pode alcançá-lo, encarnando no mundo e reencarnando, quantas vezes necessárias, para adquirir mais conhecimentos, através das múltiplas experiências da vida.
Não se pode compreender que o espírito, destinado à perfeição, consiga realizar toda sorte de progresso numa só existência física. A Lei da Reencarnação nos demonstra, desta forma, que "a Natureza não dá saltos."
O progresso adquirido pelo espírito, pelas experiências vividas nas inúmeras existências, não é somente intelectual, mas, sobretudo, o progresso moral, que vai aproximá-lo cada vez mais de DEUS.
Mas, assim como o aluno pode repetir o ano escolar, uma, duas ou mais vezes, o espírito que não aproveita bem a sua existência na Terra pode permanecer estacionário por muito tempo, conhecendo maiores sofrimentos, e atrasando, assim, sua evolução.

IV.4.1 - O ESQUECIMENTO DO PASSADO

"O pecado está na consciência".
(Romanos, Cap. 14, v. 14).
O esquecimento do passado é uma misericórdia de DEUS aos nossos pesados débitos do passado. Não lembramos das existências passadas e nisso está a sabedoria divina, embora tragamos o conhecimento do passado em estado intuitivo.
Se lembrássemos do mal que fizemos ou dos sofrimentos que passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, não teríamos condições de viver entre eles atualmente, pois, muitas vezes, os inimigos do passado, hoje são nossos filhos, nossos irmãos, nossos pais, nossos amigos, que presentemente se encontram junto de nós para a reconciliação. Por isso, também, existe a reencarnação. É A LEI DO AMOR.
A reencarnação, desta forma, é a oportunidade de reparação, como é, também, oportunidade de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando nossa evolução espiritual.
Quando reencarnamos, trazemos um "plano de vida", compromissos assumidos perante a Espiritualidade e perante nós mesmos, e que dizem respeito à reparação do mal e à prática de todo o bem possível. Dependendo de nossas condições espirituais e merecimento, podemos ou não ter escolhido as provas, os sofrimentos, as dificuldades que provarão nosso desenvolvimento espiritual.
A reencarnação, portanto, como MECANISMO PERFEITO DA JUSTIÇA DIVINA, explica-nos porque existe tanta desigualdade de destino das criaturas da Terra. Por ela, verificamos que DEUS não castiga. Somos nós os causadores dos próprios sofrimentos, pela Leia da "Ação e Reação".

IV.5 - Evolução

"Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá."
"Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus de hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como EXPIAÇÃO, e a outros como MISSÃO. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral..."
"As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas..." Logo, não há retrocesso na evolução.
"As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um espírito impuro..."
Cada um de nós é um espírito encarnado a caminho de DEUS. Embora a escolha entre o bem e o mal nos pertença, o retorno a DEUS é uma fatalidade, porque trazemos em gérmen todos os atributos divinos, que compete a nós desenvolvê-los, como filhos de DEUS. O mal em si é transitório, ainda que perdure milênios. Achamo-nos apenas em luta pela vitória imortal de DEUS, contra a inferioridade do "eu" em nossas vidas. TODA EXPRESSÃO DA IGNORÂNCIA É FICTÍCIA. SOMENTE A SABEDORIA É ETERNA. Alguns séculos de reencarnações terrestres constituem tempo escasso para reeducar inteligências pervertidas no crime.
De sorte que as conseqüências boas ou más são resultado de nossas próprias decisões, que podem atravancar ou acelerar nossa evolução.
Não há céu nem inferno, conforme descrevem as religiões tradicionais. Existem, sim, estados de alma que podem ser descritos como celestiais ou infernais.
Em síntese, DEUS, em sua suprema sabedoria e imparcialidade, bondade e misericórdia, nos criou todos iguais, simples e ignorantes, dotando-nos do livre arbítrio. Vamos construindo as diferenças pelo bom ou mal uso que fazemos desse livre-arbítrio.
Os "anjos" e "demônios" são os espíritos superiores e inferiores, isto é, criaturas em estágios evolutivos diferentes, estes últimos também a caminho da perfeição. Os bons se tornando cada vez melhores e os maus se regenerando. Assim é que, também, devemos encarar os nossos semelhantes encarnados, irmãos de jornada evolutiva. DEUS não quer que nenhum de seus filhos se percam, e a Vontade de DEUS, a Suprema Vontade, é a Lei.
Sendo o Bem o fim supremo da Natureza, quem não se voltar a ele por Amor, voltará impulsionado pelo aguilhão da dor, do tédio, da angústia, por estar infringindo uma Lei Divina.
Se a sorte do ser humano fosse inapelavelmente selada após a morte, todos estaríamos perdidos, visto termos sido muito mais maus do que bons e quase ninguém, hoje em dia, mereceria ir para o céu de bem-aventuranças, onde só caberiam os puros.
Por outro lado, uma vida, por mais longa que seja, não é suficiente para nos esclarecer a respeito dos planos de DEUS. Muitos não têm sequer como garantir a própria sobrevivência e muito menos ainda oportunidade de uma boa educação. Muitos não foram orientados para o bem. Outros, morrem cedo demais, antes mesmo de se esclarecerem sobre o melhor caminho a seguir.
Para medirmos o quanto de absurdo existe na idéia de inferno como pena eterna, basta que formulemos as seguintes perguntas:
"Como é que DEUS, sendo o Supremo Saber, sabendo inclusive o nosso futuro, criaria um filho, sabendo que ele iria para o inferno para toda a eternidade? Que DEUS seria esse? Onde está a sua bondade e a sua misericórdia? E como ficaria no céu uma mãe amorosa, sabendo que seu filho querido está ardendo no fogo do inferno?
Portanto, ninguém está perdido. Cada qual tem a oportunidade que merece. Se um pai humano, que é imperfeito e mau, não é capaz de condenar eternamente um filho, por pior que seja, quanto mais DEUS, que é o Pai Misericordioso e Perfeito, que faz chover sobre os bons e os maus, que faz com que a luz do sol ilumine os justos e injustos, indistintamente.
Disse o CRISTO: "Ninguém pode ver o Reino dos Céus se não nascer de novo". Referia-se ao nascimento do corpo e ao renascimento moral das criaturas, isto é, ao nascimento pela "água e pelo espírito". Daí sabermos que a vida é sempre uma nova oportunidade de reconciliação com os ideais superiores do Bem e da Verdade. Seguir o exemplo vivo de JESUS deve ser o ideal de todo cristão sincero.
Não adianta dizermos que pertencemos a esta ou àquela religião. Não adianta permanecermos orando o tempo todo. O importante é a prática, é a vida de todos os dias, porque, como disse Tiago: "A FÉ SEM OBRAS É MORTA". E por falar em fé, como está a nossa vida?
- Como temos tratado nossos familiares: nosso pai, nossa mãe, nossos irmãos, nossos filhos, esposa ou esposo?
- Como tratamos as pessoas estranhas?
- Como nos conduzimos no trabalho, na escola, no clube, na vida pública em relação às outras pessoas com quem convivemos?
- Como reagimos a uma ofensa? A um gesto de agressão? A uma calúnia? A uma ingratidão? A uma decepção na vida?
- Como reagimos a um problema familiar? À perda de um ente querido? A uma doença incurável?
- E o que vimos fazendo em favor dos necessitados? Dos carentes? Dos enfermos?
Não há outra maneira de amar, se não formos caridosos. Caridade é ser benevolente, tolerante, paciente, humilde. É fazer para os outros o que desejamos que nos façam. Como não queremos que nos façam o mal, mas todo o bem possível, assim também devemos agir para com eles familiares, parentes, amigos, estranhos e até inimigos.
A obrigação do cristão é ser trabalhador do bem, dando sua parte, por pequena que seja, na luta por um mundo melhor. A montanha é feita de pequeninos grãos de areia. O oceano é composto de ínfimas gotas de água.
Podemos fazer tudo isso, cuidando melhor de nossas atitudes, vigiando nosso comportamento diário, sendo mais atenciosos e gentis, vendo nos outros mais qualidades e, finalmente, sendo mais exigentes para conosco mesmos, porque o homem inferior julga os outros, o superior a si mesmo.
Auxiliar os pobres, socorrer os desesperados, assistir aos doentes, orientar o desajustado, levar palavras de conforto e esperança ao aflito, divulgar e viver os ensinamentos de JESUS, tudo isso constitui as bases do verdadeiro amor por ele ensinado e exemplificado, há quase 2.000 anos. É a única maneira de evoluir.

V - CONCLUSÃO

"Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará."
A Terra é um mundo de categoria moral inferior, haja visto o panorama lamentável em que se encontra a Humanidade. Contudo, nosso Planeta de Provas e Expiações, seguindo a Lei implacável da evolução, está caminhando para se transformar em Esfera de Regeneração, quando, finalmente, o bem sobrepujará o mal.
O Progresso da humanidade, sem dúvida, é lento, muito lento mesmo, mas constante e ininterrupto. Ainda quando pareça estar regredindo, o que ocorre em certos períodos transitórios, esse aparente recuo não é senão o PRENÚNCIO DE NOVA ETAPA DE ASCENSÃO.
A Terra passa, atualmente, por um período de transição muito importante. Entramos em um final de ciclo ou estágio, denominado, alegoricamente, de "FINAIS DOS TEMPOS", onde se processa, gradualmente, a seleção de almas, ou "separação do joio do trigo". É A HORA DO PARTO DOLOROSO. De alguma forma, todos estamos sendo convocados aos testemunhos mais difíceis. Os que não se adaptarem ao novo padrão vibratório que imperará, em futuro próximo, serão expurgados para outros orbes menos adiantados moral e intelectualmente, onde terão - graças à misericórdia infinita de DEUS - nova oportunidade de resgate, auxiliando, assim, outros irmãos menos evoluídos, em sua caminhada.
Todos estamos sendo convocados a voltar-se para DEUS enquanto é tempo, numa última oportunidade ao chamamento dos que herdarão a Terra, porque o mundo velho está ruindo, e com ele muitas edificações enobrecidas estão sendo postas abaixo pela fúria destruidora.
Estamos no limiar de uma Nova Era e no crepúsculo da cultura e da civilização do passado. Momento grave este que vivemos no Planeta, quando os valores éticos enobrecidos cedem lugar ao desequilíbrio e às manifestações do primitivismo, que devem desaparecer da estrutura psicológica da criatura humana.
A sentença de ordem é VIGIAR E ORAR, perseverando nos deveres e abraçando a cruz da renúncia pessoal. A hora é de servir e passar, ignorados talvez, nunca ignorantes da Verdade, desprezados possivelmente, jamais desprezíveis diante da consciência ilibada."
Em resumo, é preciso aproveitar bem a nossa sagrada oportunidade de ter reencarnado neste Planeta, escola e oficina indispensável ao aperfeiçoamento de nosso espírito.
A fé cega está cedendo lugar à fé raciocinada. Para podermos crer de verdade, antes de mais nada, precisamos COMPREENDER aquilo que devemos crer. É o convite que a Doutrina Espírita nos faz, traçando o objetivo supremo de levar o indivíduo à REFORMA ÍNTIMA, AO BURILAMENTE INTERIOR, À CONQUISTA DE SI MESMO. Conforme KARDEC, "reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações".
Com muita propriedade, KARDEC asseverou que "fé inabalável é aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade".
Divisando, de um plano mais alto, a Vida, concluímos que o espírita deve ser um estudioso permanente, sempre em busca de conhecimentos que possam contribuir para o aprimoramento de seu espírito; deve ser, acima de tudo, um praticante incondicional da Caridade.
É com esse mesmo espírito de pesquisa e investigação que este folheto concita-o a estudar o Espiritismo, mas a decisão é sempre sua!!! Depois desta simples leitura, esperamos que você tenha dúvidas e perguntas a fazer. Se tiver, é bom sinal...
"SEREMOS TODOS UM’. (JOÃO, 17:20 e 21).

quarta-feira, 8 de agosto de 2012




Os maiores inimigos dos médiuns 

  • 1. OS MAIORES INIMIGOS DOS MÉDIUNS. A TAREFA MEDIÚNICA É UM CAMPO DE LUTA, APRENDIZADO E PROGRESSO. O MÉDIUM ESPÍRITA NÃO PODE SENTIR-SE COMO UM PRIVILEGIADO, JULGANDO-SE DISPENSADO DE COMPROMISSOS E DEVERES NO ROTEIRO DE CRESCIMENTO ESPIRITUAL. A PRÁTICA MEDIÚNICA, POR SI SÓ, NÃO CONFERE ELEVAÇÃO A NINGUÉM. NÃO ATENDE AOS INTERESSES DE JESUS E DOS BONS ESPÍRITOS O MÉDIUM QUE PERMANECE VOLUNTARIAMENTE INDIFERENTE AO ESFORÇOS DE AUTO-APRIMORAMENTO. NA QUESTÃO N 410 DO LIVRO O CONSOLADOR, O AUTOR ESPIRITUAL EMMANUEL RELACIONA OS MAIS PERIGOSOS INIMIGOS DOS MÉDIUNS. QUASE SEMPRE TITULAMOS COMO MAIORES INIMIGOS DOS MÉDIUNS : OS IMPLACÁVEIS ESPÍRITOS PERSEGUIDORES, OS RELIGIOSOS QUE CONDENAM A MEDIUNIDADE, A RIGOROSIDADE DA MEDICINA OFICIAL COM OS MÉDIUNS CURADORES E A FORÇA POLICIAL QUE PERSEGUE E APRISIONA, ATENDENDO A AÇÃO JUDICIAL. ESTAS FORÇAS ADVERSAS, MUITAS VEZES, AJUDAM, AO INVÉS DE PREJUDICAREM, PORQUE INIBEM OS ABUSOS DOS MÉDIUNS INEXPERIENTES.
  • 2. NA REALIDADE ESPIRITUAL, OS INIMIGOS DOS MÉDIUNS SÃO OUTROS, QUASE IMPERCEPTÍVEIS. O PRIMEIRO INIMIGO DO MÉDIUM RESIDE NELE MESMO. É NO ÍNTIMO DE SI MESMO QUE ELE VAI DEFRONTAR OS MAIORES ADVERSÁRIOS PARA A EXECUÇÃO DE SUAS TAREFAS ESPÍRITISTAS. ESTES INIMIGOS DO PROGRESSO ESPIRITUAL SÃO : O PERSONALISMO, A AMBIÇÃO, A IGNORÂNCIA E A REBELDIA. O PERSONALISMO É QUANDO DESEJAMOS SEMPRE ESTAR EM EVIDÊNCIA, SENTINDO-NOS EM POSIÇÃO SUPERIOR AOS OUTROS E ESTIMAMOS TRABALHAR COM NOSSAS PRÓPRIAS IDEIAS, MENOSPREZANDO OS PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS KARDEQUIANOS. A AMBIÇÃO. É QUANDO ALMEJAMOS DE TODAS AS FORMAS CONQUISTAR A FAMA, O PODER, O PRESTÍGIO E A ADMIRAÇÃO DE TODOS EM TODA PARTE; OS INTERESSES PESSOAIS ESTÃO SEMPRE ACIMA DOS OBJETIVOS DO ESPIRITISMO. A IGNORÂNCIA É QUANDO CULTIVAMOS A MÁ VONTADE EM NÃO QUERER ESTUDAR, NÃO USAMOS O RACIOCÍNIO, NÃO APLICAMOS A OBSERVAÇÃO SENSATA PARA DISCERNIR E NEM GASTAMOS FOSFATO E TEMPO NO APRENDIZADO DO EVANGELHO E DA DOUTRINA.
  • 3. A REBELDIA É QUANDO NÃO COGITAMOS DE EDUCAR OS MAUS HÁBITOS, CORRIGIR NOSSAS IMPERFEIÇÕES, CONTROLAR NOSSO TEMPERAMENTO DIFÍCIL, DOMINAR NOSSAS PAIXÕES E VÍCIOS.. ATENDEMOS AOS CONVITES FANTASIOSOS DO MUNDO, MAS NÃO ACEITAMOS A REFORMA MORAL COM JESUS A FIM DE TRABALHARMOS MAIS E MELHOR COM OS ESPÍRITOS. OS ENSINOS DOS ESPÍRITOS SÃO SEMPRE PARA OS OUTROS E NUNCA PARA NÓS MESMOS. OS RESULTADOS DESTA ATITUDE DE NEGAÇÃO SISTEMÁTICA SÃO A INVIGILÂNCIA PELA AUSÊNCIA DA PRUDÊNCIA EVANGÉLICA E A LEVIANDADE, QUE LEVAM ÀS PRÁTICAS MAIS ESTRANHAS E À DESORDEM MENTAL. SE, PARA OS ESPÍRITOS DA CODIFICAÇÃO EM O LIVRO DOS MÉDIUNS, O MELHOR MÉDIUM É : AQUELE QUE, SIMPATIZANDO APENAS COM OS BONS ESPÍRITOS, FOI FREQUENTEMENTE MENOS ENGANADO (QUESTÃON.226.9 ), O QUE NÃO DEVEMOS PENSAR DO MÉDIUM INDISCIPLINADO QUE SE DEIXA VENCER PELOS INIMIGOS DA EDUCAÇÃO MEDIÚNICA DESCRITOS ACIMA ? CERTAMENTE SEUS ENGANOS SERÃO MAIORES E MAIS FREQUENTES, PODENDO LEVAR MILHARES DE CRIATURAS AO ATRASO MENTAL, AO INVÉS DE PROGRESSO ESPIRITUAL.
  • 4. OUTRA ORDEM DE INIMIGOS, DESCREVE-NOS O MENTOR ESPIRITUAL EMMANUEL, SÃO AQUELES ENCONTRADOS NO PRÓPRIO SEIO DOS GRUPOS ESPÍRITAS. QUEM SÃO ELES ? SÃO TODOS AQUELES ESPÍRITAS QUE ACREDITAM NA REALIDADE DOS FENÔMENOS, MAS NÃO SE CONVERTERAM AO EVANGELHO PELO CORAÇÃO, TRAZENDO PARA DENTRO DOS AGRUPAMENTOS OS SEUS CAPRICHOS PESSOAIS, AS SUAS PAIXÕES INFERIORES, AS OPINIÕES CRISTALIZADAS NO ENDURECIMENTO DO CORAÇÃO E A ESCRAVIZAÇÃO VICIOSA ÀS ORIENTAÇÕES ESPIRITUAIS. ESTES CONFRADES INEXPERIENTES ESTÃO APRISIONADOS À VICIAÇÃO AOS FENÔMENOS MEDIÚNICOS, À FASCINAÇÃO COM AS COMUNICAÇÕES, AO ENTUSIASMO EXCESSIVO COM A CURA DO CORPO FÍSICO E AO ENDEUSAMENTO INDEVIDO AOS MÉDIUNS. SÃO OS AMANTES DO MENOR ESFORÇO, EM GRANDE INÉRCIA MENTAL. NÃO QUEREM ESTUDAR PARA APRENDER SEMPRE MAIS, PORÉM SENTEM MUITA NECESSIDADE DO CONFORTO ÍNTIMO PELA PALAVRA DOS GUIAS E AMIGOS ESPIRITUAIS. PROCURAM SEMPRE O MÉDIUM QUE ADMIRAM PARA RESOLVER SEUS MENORES PROBLEMAS. NÃO DÃO UM PASSO, SEM CONSULTAR OS ESPÍRITOS. FALAM MUITO, CRITICAM TUDO AQUILO QUE NÃO AJUDARAM A CONSTRUIR, EXIGEM BENÇÃOS, PAZ E SAÚDE, SEM BUSCAR CONQUISTÁ-LAS.
  • 5. PERMANECEM ESTACIONADOS NO CAMPO MENTAL, EMBORA BAFEJADOS POR TANTA LUZ. FOMENTAM A CONFUSÃO POR QUALQUER MOTIVO, PERTURBAM A EQUIPE DE TRABALHADORES FIÉIS NO SERVIÇO DO BEM AOS OUTROS, SÃO FRACOS, PEDINCHÕES E IDÓLATRAS. TODO MÉDIUM ESPÍRITA SINCERO DEVERÁ VIVER COM MUITA CAUTELA EVANGÉLICA, PARA NÃO SE DEIXAR PRENDER EM SUAS MALHAS DE SENTIMENTOS VENENOSOS E ENTORPECIDOS. A FIM DE CAMINHAR PARA A FRENTE, PRODUZINDO O MELHOR COM A VERDADE E O AMOR, PARA SUA SEGURANÇA, É INDISPENSÁVEL: SE RESGUARDE NA PRECE QUE FORTALECE, NA VIGILÂNCIA DO DISCERNIMENTO COM KARDEC, NA HARMONIA DA DISCIPLINA, NA RENUNCIAÇÃO AOS PRÓPRIOS CAPRICHOS, NA ABNEGAÇÃO QUE NÃO SE CANSA, NA PRÁTICA DO BEM E NA ATENÇÃO PROFUNDA AOS BENS ETERNOS DO ESPÍRITO.
  • 6. AS ADVERTÊNCIAS DO SÁBIO ESPÍRITO EMMANUEL SÃO VERDADES DURAS E DIFÍCEIS DE SEREM ASSIMILADAS POR NÓS, APRENDIZES DO ESPIRITISMO EVANGÉLICO, MAS SOMENTE COM A PRESERVAÇÃO DA PUREZA DOUTRINÁRIA CONSEGUIREMOS EXTIRPAR AS CHAGAS DOLOROSAS DE NOSSOS CORAÇÕES PARA RACIOCINARMOS ACERTANDO COM KARDEC E SERVIR, AMANDO COM JESUS CRISTO EM CUMPRIMENTO AOS NOSSOS DEVERES DE MÉDIUNS CRISTÃOS.
PREPARAÇÃO DE UM MÉDIUM NA UMBANDA BRANCA


O médium iniciante, e mesmo os não tão iniciantes que já têm incorporações positivas mas que ainda não receberam ordem de trabalho devem ser sempre lembrados de que o trabalho mediúnico, longe da proteção da corrente (egrégora) de seu Terreiro, Templo, etc., deve ser evitado para sua própria segurança (atenderão os que forem realmente honestos).
Não raramente vemos médiuns que mal sabem caminhar por si, acharem que por "receberem" a entidade X ou Y no Terreiro (principalmente se for um Exú ou Pomba-gira), já estão preparados para "darem consultas" e "desmancharem" trabalhos. Se perguntados sobre o que sabem respondem logo:
-"Eu nada, mas é a entidade quem tem que saber tudo".
Esses são os eternos "CAVALOS DE ENTIDADES". São montados, usados, e não raramente largados mais cedo ou mais tarde por essas entidades que se diziam Esse ou Aquele e que quase sempre não são nem um nem outro.
Sorte a deles se por qualquer motivo ou até mesmo extrema boa intenção, conseguiram atrair para junto de si entidades que sejam realmente positivas e os possam levar por caminhos idem. Infelizmente isso não é o que acontece na maioria das vezes, pela inclinação natural do ser humano de querer usar a mediunidade como meio de conseguir notoriedade e até mesmo bens materiais, o que os faz se aproximarem ou atraírem entidades que pensem do mesmo jeito.
Pelo que vimos acima é de extrema importância que um médium iniciante receba informações precisas que, se bem aprendidas, o livrarão de boas emboscadas do baixo astral, não só no início, mas em toda a sua vida mediúnica.
Todo dirigente honesto e que tenha reais conhecimentos no trato com o mundo espiritual, Elemental etc., tem que saber muito bem que não basta (para que um médium, e mesmo os que não se acham médiuns, venham a ser realmente positivos) que se cumpram os preceitos físicos (ex: freqüentar as reuniões, ser batizado dentro do ritual específico, realizar suas "obrigações" etc., etc., etc.) de sua doutrina religiosa (seja ela qual for). Se a pessoa não assumir um comportamento adequado com os ensinamentos, não for honesto e leal consigo e com os seres invisíveis (não para todos) estará fadada a grandes infortúnios.
Qualquer um que queira "ganhar o Paraíso" NO GRITO apenas por meios materiais, sem se preocupar com sua própria mudança interna, ESTÁ SE ENGANANDO e enganando a todos os que o seguem.
De nada adiantam os "breves", os "patuás", os "santinhos", os "azeites ungidos", os "dízimos", as "salvas", as "obrigações" as "peregrinações" se o adepto do culto (seja ele qual fornão procurar a melhoria de seu EU INTERIOR através do culto ao verdadeiro amor, e à verdadeira honestidade para com essas entidades positivas que se busca alcançar. Ninguém vai comprar, seja por que meios for, o seu lugar no paraíso. Não é e nunca será por presentes e oferendas que o homem se verá livre das mazelas que quase sempre atrai por seus próprios pensamentos, palavras e atitudes.
Por que nos preocupamos tanto com esses aspectos da religião?
Porque os erros que vemos hoje são ainda os erros que fazem parte do passado de todas as religiões.
Porque as pessoas procuram as religiões ainda nos dias de hoje, ou apenas para se livrarem de males que as acompanham ou para conseguirem através delas e de supostos santos ou seja que nome se lhes queiram dar, os bens materiais, a notoriedade diante de outros por suas "posições de destaque" nos cultos, auferidas por interesses não raramente mesquinhos, e até mesmo em cargos políticos conseguidos pelos votos de pessoas que acham que, por conseguirem eleger seus "representantes" estarão mais protegidas ou terão seus desejos satisfeitos e, em se tratando de Umbanda, Umbandomblé e principalmente Candomblé, muitos são os que se achegam para se exibirem com seus "guias", seus colares, enfeites e o pseudo poder de suas entidades, esquecendo-se que por trás e acima de tudo isso estão entidades que não são meros bonecos que aceitem todas essas demonstrações como atitude de seres que queiram realmente evoluir. Não entenderam ainda que para que haja religação (religião) é preciso que o ser humano saia dessa farsa em que se encontra e pare de achar que os seres espirituais superiores têm que aceitá-los como eles são e que "as portas do céu estão abertas" para todas essas ignomínias que cometem" em nome das religiões".
Entenda irmão, de uma vez por todas, que a verdadeira Umbanda (e acredito que todas as outras) foi criada na Terra para tentar elevar a consciência dos seres encarnados para mundos além desse material a que estamos presos temporariamente, no sentido de nos libertarmos aos poucos, do excessivo apego ao que de material existe, o que leva até mesmo ao fato de existirem desavenças e guerras onde irmãos chegam a matar outros em nome de um "DEUS", que pelo menos ao que se sabe, através dos ensinamentos de Jesus, só quer que as pessoas se compreendam e se amem. Pode haver maior contradição do que essa?
Nos preocupamos com esses aspectos da religião porque é preciso que todos os que nela se iniciam estejam cientes das responsabilidades que assumem consigo e com entidades mais e menos evoluídas que por certo se apresentarão para acompanhá-los pelos novos caminhos, bem assim como, cientes devem estar de que, desde que devidamente orientados, cada um é responsável pelas ações comportamentais que os levarão às vitórias reais ou a pseudo-vitórias temporárias com conseqüências às vezes funestas.
Irmão Dirigente, Pai No Santo, Babalorixá ou outro qualquer nome que queira ter em cargo de chefia, desde que o seja de fato, preste atenção:
Mais do que nunca é importante que as pessoas sejam corretamente orientadas nos cultos que envolverem práticas com o "Mundo Invisível". Todos nós sabemos que as armadilhas do Baixo Astral existem,que não são meras lendas e que elas acontecem até com o nome de Jesus diretamente envolvido. Todos nós sabemos que os que hoje vêm em busca de orientação, poderão ser amanhã os que levarão esses conhecimentos a outros, dando continuidade e até melhorando as formas de propagação de nossas doutrinas e cultos, e desse modo, é de suprema importância que os médiuns que nos procuram sejam honestamente orientados, recebam ensinamentos que sejam importantes para aperfeiçoarem seus dons mediúnicos de tal forma que possam ter acesso positivo às entidades dos diversos Planos Evolutivos e, principalmente, sejam levados a compreender que uma vez iniciado seu caminho dentro da Umbanda ou qualquer outra religião, sinceridade, honestidade, coragem e FÉ deverão ser as companheiras inseparáveis que os tornarão aptos a aprenderem com os que estiverem acima e ensinarem aos que estiverem abaixo.
Cada Dirigente de grupo ou Terreiro deve ter em mente que cada Ser que chega para ser orientado é como ele próprio – um Ser da Criação – e como tal, merece todo o respeito, cuidado e consideração daqueles que se aventuram a serem Líderes.
Cada Dirigente de Terreiro tem o dever de orientar seus dirigidos fazendo-os compreender suas responsabilidades e deveres para com o grupo, as entidades, os rituais praticados, consigo mesmo e principalmente com aqueles que vêm em busca de auxílio.
É muito importante que cada médium do Terreiro compreenda seu valor dentro do ritual e saiba que, se cada um der o melhor de si, todos serão beneficiados. É também muito importante que esses médiuns, iniciantes ou não, entendam que o grupo a que pertencem é tão poderoso quanto o indivíduo mais fraco que ali esteja (em outras palavras e como costumamos ouvir: "a corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos"), e dessa forma, ainda que o Chefe do grupo "tenha grandes poderes mediúnicos", se houver no grupo pessoas medrosas, vacilantes, despreparadas, pessoas que por qualquer motivo possam ser presas fáceis do Baixo Astral, pode ter certeza : É por essa(s) porta(s) que uma "derrubada" pode começar.
Raciocinando sobre tudo o que foi dito, veremos que:
1.     Médium iniciante deverá sempre freqüentar Sessões especiais onde vai começar a aprender a ter contatos positivos com o Mundo Invisível;
2.     Médiuns iniciantes não devem participar de Sessões de Trabalho antes de terem preparação adequada, para que não comprometam a segurança do Terreiro e a sua própria.
3.     Médiuns iniciantes devem ser "trabalhados" para que consigam real contato com suas entidades protetoras e guias antes de se aventurarem a participar de trabalhos pesados e até mesmo de Giras de Exú.
4.     A preparação adequada de um médium iniciante tem que incluir obrigatoriamente a aprendizagem de conceitos como FÉ, HONESTIDADE (em todos os sentidos), CORAGEM (ausência de medo), e PERSEVERANÇA.
É tão importante essa fase de preparação que é a partir daí que se poderá formar médiuns de caráter, conhecimentos e possibilidades mediúnicas exemplares ou pessoas com dotes mediúnicos, conhecimentos e caráter deturpados por medos, prepotências, dúvidas, inseguranças, e como conseqüência, com atuações espirituais duvidosas, tanto no que diz respeito à atuação em si (como no caso de animismo,quando o médium pensa estar atuado e não está), como em relação ao real valor das entidades que realmente atuem sobre ele.
Se o médium é dado como "pronto" e verdadeiramente não está, longe de vir a ser mais um auxiliar positivo para os trabalhos do grupo, ele fatalmente virá a ser o "Ponto Fraco" por onde mais cedo ou mais tarde poderão se infiltrar elementos do Baixo Astral com todas as conseqüências.
Em relação a si próprio, o médium enganado (há também os que gostam de se enganar),pensando contar com a presença positiva de entidades idem, poderá vir a cometer erros comportamentais e ritualísticos que acabarão por atrair para ele (e talvez para outros) problemas de grande monta, levando-o até mesmo, na melhor das hipóteses, à descrença e ao abandono do culto.
Não vou me alongar mais por enquanto. Faço isso em um próximo texto.
Vou terminar esse capítulo com a letra de um Ponto Cantado por nossas entidades que por certo merece um pouco de atenção.
"Vai devagar, vai devagarinho… (bis)
Quem caminha com Velho
Nunca fica pelo caminho".
Entenda quem puder e quiser!