domingo, 21 de julho de 2013

NO DIA 30 DE AGOSTO A TENDA ESPÍRITA 7 LUAS ESTARÁ
COMEMORANDO A LINHA DOS BOIADEIROS


ESPÍRITOS DA UMBANDA - BOIADEIROS

Ante o sucesso da série de estudos "Orixás da Umbanda", surgiu a necessidade de prosseguir os estudos sobre nossa sagrada religião. Uma vez que os Orixás já foram comentados, é chegado o momento de falar dos espíritos, das entidades que atuam na Umbanda, que comandam nossos trabalhos e que nos trazem mensagens do plano espiritual. Buscar-se-á abordar todas as questões inerentes ao tema, deixando claro, logicamente, que o leitor possui toda a liberdade de questionar e de mandar suas dúvidas.

Que Oxalá nos ilumine! Um bom estudo a todos!


ESPÍRITOS DA UMBANDA - BOIADEIROS





Iremos tratar neste humilde texto de espíritos trabalhadores da Umbanda, que simbolizam a  coragem, força, virilidade, honestidade e a robustez. São eles nossos amigos Boiadeiros.

Os Boiadeiros também integram a chamada Linha Intermediária ou Auxiliar, podendo atuar livremente tanto nas linhas de direita quanto de esquerda.


São espíritos de peões, tropeiros, antigos vaqueiros do sertão, pessoas que tiveram sua vida dedicada à lida com o gado. Os espíritos integrantes dessa linha também são chamados de Caboclos de Couro, expressão dada para diferenciar dos Caboclos de Pena, que são espíritos de índios.

Esses espíritos podem se apresentar como Caboclos Boiadeiro, mais ligado à mata, à Oxossi, à Jurema ou como Baiano Boiadeiro, entidade mais ligado à Bahia e semelhante  aos espíritos de Baianos. Ademais, todos integram a linha de boiadeiros. Sabe-se que os antigos vaqueiros rodavam o país inteiro, montado em seu cavalo, tocando o gado. Por essa razão, essas entidades não são caracteristicas apenas de uma região, mas de todo o país.
Por isso, existem pontos cantados que falam na Bahia, em Minas Gerais,etc.


Esses espíritos por utilizarem quando encarnados, usam em seus trabalhos o chapéu e  jaleco de couro, o lenço vermelho, cordas de laço, berrante,etc.

A linha de Boiadeiro possui um significado interessante. Esses espíritos de homens corajosos, fortes e destemidos, passaram a trabalhar no plano espiritual contra a demanda e forças negativas. O boi de agora, nada mais é do que os Kiumbas, as forças negativas que precisam ser laçadas e controladas. Sua boiada também pode significar os filhos de fé que são "tocados" em direção à evolução.

A manifestação desses espíritos no terreiro é de fácil reconhecimento. Geralmente chegam com o braço direito levantado e girando, como se estivesse laçando com sua corda. Seu brado soa como se estivesse tocando gado: "Êêê Boi".

Esses espíritos são sérios, carrancudos, disciplinados, não gostam de bricadeira e nem de meio termo. Tem uma linguagem difícil, típica do homem rude do sertão. Dão seus conselhos, seus passes, fazem seus trabalhos com a maior humildade e simplicidade. Utilizam-se de cachaça, de cigarros de palha ou charutos. Gostam de usar chapéu de couro, de ter nas mãos seu laço de corda, instrumentos que utiliza em seus trabalhos.

Esses espíritos atuantes da Umbanda, também podem ser encontrados nos chamados Candomblés de Caboclo, ligados à nação de Angola, com algumas caracteristicas diferentes. (Quem quiser conhecer mais sobre o candomblé de caboclo, acesse:http://www.youtube.com/watch?v=uHlZILXepFQ ).

Gostam da comida dos tropeiros, em especial da carne de sol.

Em suas oferendas, utiliza-se a carne de sol, a cachaça, o fumo e velas que podem ser das cores laranja ou vermelha. São grandes protetores das criações, plantações,etc.
Sua oferenda, preferencialmente, é realizada nas campinas ou beira de estradas.

Assim como os demais espíritos da Umbanda, eles são organizados em falanges, sendo as mais conhecidas:

Chico da Porteira;

Zé do Laço;

Zé da Campina;

Tião;

Zé Mineiro;

Serra Negra;

Boiadeiro Navizala;

Laço Nervoso;

Carne de Boi;

Zé do trilho;

Serafim;

João Bento;

etc.

Sua saudação, popularmente conhecida, é "Xetruá" "Xetro Marrumbaxêtro". Essas saudações não possuem um significado claro. Muitos defendem que elas são inerentes a forma como os boiadeiros dão seu brado quando tocam o gado.
  

PONTOS CANTADOS

Os pontos cantados para a linha de Boaideiros, falam sobre a vida desses espíritos. Sua luta diária no sertão, o uso do berrante, do lenço do chapéu de couro, a lida com o gado, etc. Seguem abaixo, alguns dos pontos cantados usadados para chamar e louvar nossos queridos irmãos e guias Boaiadeiros.

PONTO 01

Quem vem lá é dois, dois de ouro,
Quem vem lá boiadeiro sou eu!
A cancela do meio bateu,
Sou eu, boiadeiro, sou eu!

Boiadeiro, boiadeiro,
Sua boiada esparramada,
Boiadeiro chama seu guia,
E vai ver sua boiada!

PONTO 02

Zé do Laço corre a gira,
Chico Bento abre a porteira,(2X)

Olha lá quem vem chegando,
Vem chegando é Boiadeiro!(2X)

Zé do Laço é, ele é laçador!(2X)
Ele vem pra trabalhar, com Deus e nosso Senhor!(2X)

PONTO 03

Bate o tambor de mina,
que eu vou chamar boiadeiro,
Caboclo bom que no laço,
Eu nunca vi tão ligeiro! (2X)

Chegou João Boaideiro,
Abre cancela senhor,
A minha saudação na Santa Paz do Senhor,
Meu gado deixei lá fora, avise quem me chamou!

Bate o tambor de mina,

que eu vou chamar boiadeiro,
Caboclo bom que no laço,
Eu nunca vi tão ligeiro! (2X)

Conhece aonde tem pasto,
Para seu gado leiteiro,
No gongá conhece o filho,
Que é bom e verdadeiro!

Bate o tambor...

PONTO 04

Xetruê, Xetruá
Corda de laçar meu boi!

Xetruê, Xetruá,
Corda de meu boi laçar! (2X)

Seu Boiadeiro,
cadê sua boiada? (2X)

Seu Boiadeiro por aqui choveu!
Seu Boiadeiro por aqui choveu!

Choveu, choveu e relampeou!
Foi tanta água, que seu boi nadou!
Foi tanta água, que seu boi nadou!

PONTO 05

Eu tenho meu chapéu de couro,
Eu tenho a minha guiada,
Eu tenho meu lenço vermelho,
Para tocar minha vaquejada! (2X)

PONTO 06

De lá vem vindo,
De lá vem só,
De lá vem vindo a força maior! (2X)

De lá vem vindo Boiadeiro,
De lá vem só!
Venha trazendo a força maior!

De lá vem vindo...

PONTO 07

A menina do sobrado,
mandou me chamar pra seu criado! (2x)

Eu mandei dizer a ela,
Estou vaquejando meu gado!

Êêê Boiadeiro, eu gosto de samba arrodeado (2X)

PONTO 08

Seu João Carreira, na estação da Leopodina,
Vinha carreando boi lá pras bandas de Minas!

Ô Mineiro ê,
Ô Mineiro á (2X)

Que coisa mais linda, povo de Minas não há (2X)

PONTO 09

Nas tranças do seu cabelo,
Eu bebi água de gravatá, seu Boiadeiro! (2X) 
Eu bebi água de gravatá seu Boiadeiro,
E de chapéu de couro! (2X)

Seu Boiadeiro cadê sua boiada? (2X)
Sua boiada ficou lá em Belém, seu chapéu de couro ficou lá também! (2x)

PONTO 10

Pedrinha miudinha!
Pedrinha de Aruanda ê!
Lajeiro, tão grande!
Tão grande de Aruanda ê!

PONTO 11

Boa noite, meu senhores (2X)
Dai-me licença, para o cavaleiro! (2X)

Eu morei, em matara fechada (2X)
O meu nome é Caboclo Vaqueiro (2X)

Boa noite...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

NANÃ BURUQUÊ

          DIA 26 DE JULHO A TENDA ESPÍRITA 7 LUAS
         COMEMORA A FESTA DE NANÃ BURUQUÊ


NANÃ BURUQUE E SUA HISTÓRIA

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Nanã
 é a mãe primeira de toda humanidade, conforme a lenda o
homem após várias tentativas de usar diversos materiais, foi feito do barro (lodo primordial das matérias na crosta terrestre), e soprado a vida em suas narinas por oxalá, sendo que a única restrição de Nanã foi para quando este homem morresse a sua matéria seria devolvida aos seus domínios, sincretizada como Nossa Senhora De Santana a avó de Jesus , dona das águas paradas, das chuvas e dos pantanos,ela decanta em seus domínios toda as matérias impuras dos homens, preparando assim a limpeza do espírito para próxima reencarnação.

 Nanã é a deusa mãe em todas as culturas.
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Grande senhora das terras molhadas e fecundas, com a qual foram criados todos os seres, reina na lama que formou a Terra, nas águas paradas e pântanos.

Nanã, senhora de muitos búzios, que simbolizam fecundidade, riqueza e morte. É associada ao barro com que foi moldado o primeiro homem; ao fundo de rios e mares. É o ponto de contato entre as águas e a terra. Vive nas madrugadas, quando o orvalho umedece a terra.
Nanã, pelo fato de ser um dos primeiros Orixás criados por Olorun, é caracterizada como uma anciã, ou uma avó. É guardiã do reinado dos eguns e ancestrais, assim como Obaluayê; usando o ibiri (espécie de bastão ritual com a ponta curva, confeccionado com palha da costa e búzios) como elemento controlador e genitor. Seus preceitos são extremamente complexos e ricos em detalhes... Ao mesmo tempo em que dá vida às criaturas, faz com que retornem ao seu elemento de origem, para mais tarde, renascerem na Terra, formando o ciclo da vida e da morte. Por isso, o corpo após a morte, deve ser devolvido a terra, de onde ele saiu um dia.
Nanã Buruku é o arquétipo das pessoas que agem com calma, benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas no cumprimento de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade à sua frente para acabar seus afazeres.
Suas filhas têm um temperamento introvertido. Ativas e severas, gostam de ordem e limpeza. São discretas, cumpridoras de suas promessas e adoram crianças. Elas gostam das crianças e educam-nas, talvez, com excesso de doçura e mansidão, pois têm tendência a se comportarem com a indulgência dos avós.
Texto: by Pierre Verger

São conservadores e presos aos padrões convencionais estabelecidos pelos homens. Calmos, às vezes mudam rapidamente de comportamento, tornando-se guerreiros e agressivos; quando então, podem ser perigosos, o que assusta as pessoas. Levam seu ponto de vista ás últimas conseqüências.
Quando mães, são apegadas aos filhos e muito protetoras. São ciumentas e possessivas. Exigem atenção e respeito, são pouco alegres e não gostam de muitas brincadeiras. São majestosos e seguros nas ações e procuram sempre o caminho da sabedoria e da justiça.


“Nanã é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte”

Ela é a origem e o poder. Entender Nanã é entender o destino, a vida e a trajetória do homem sobre a terra, pois Nanã é a História. Nanã é água parada, água da vida e da morte.

Nanã pode ser a lembrança angustiante da morte na vida do ser humano, mas apenas para aqueles que encaram esse final como algo negativo, como um fardo extremamente pesado que todo o ser carrega desde o seu nascimento. Na verdade, apenas as pessoas que têm o coração repleto de maldade e dedicam a vida a prejudicar o próximo se preocupam com isso. Aqueles que praticam boas ações vivem preocupados com o seu próprio bem, com a sua elevação espiritual e desejam ao próximo o mesmo que para si, só esperam da vida dias cada vez melhores e têm a morte como algo natural e inevitável. A sua certeza é a imortalidade da sua essência.

É na morte, condição para o renascimento e para a fecundidade, que se encontram os mistérios de Nanã. Respeitada e temida, Nanã, deusa das chuvas, da lama, da terra, juíza que castiga os homens faltosos, é a morte na essência da vida.
Texto: web page Candomblé o mundo dos Orixás

Nanã Buruquê representa a junção daquilo que foi criado por Deus. Ela é o ponto de contato da terra com as águas; sendo portanto também sua criação, simultânea a da criação do mundo.
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1. Com a junção da água e a terra surgiu o barro.
2. O barro com o sopro divino representa movimento.
3. O movimento adquire estrutura.
4. Movimento e estrutura surgiram à criação; O homem.

Portanto, para alguns, Nanã é a divindade suprema que junto com Zâmbi (divindade máxima de um culto), fez parte da criação, sendo ela responsável pelo elemento barro, que deu forma ao primeiro homem e de todos os seres viventes da terra, e da continuação da existência humana e também da morte, passando por uma transmutação para que se transforme continuamente e nada se perca.

A senhora do reino da morte é, como elemento, a terra fofa, que recebe os cadáveres, os acalenta e esquenta, numa repetição do ventre, da vida intra-uterina. É, por isso, cercada de muitos mistérios no culto e tratada pelos praticantes com menos familiaridade que os Orixás mais extrovertidos como Ogum e Xangô, por exemplo.

Muitos são portanto os mistérios que Nanã esconde, pois nela entram os mortos e através dela são modificados para poderem nascer novamente. Só através da morte é que poderá acontecer para cada um a nova encarnação, para novo nascimento, a vivência de um novo destino – e a responsável por esse período é justamente Nanã.
oxumEm outra linha da vida, ela é encontrada na menopausa. No inicio desta linha está Oxum estimulando a sexualidade feminina; no meio está Yemanjá, estimulando a maternidade; e no fim está Nanã, paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos.

A Orixá Nanã rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional dos seres. Atua decantando os seres emocionados e preparando-os para uma nova “vida”, já mais equilibrada.

Uma pessoa que tenha Nanã como Orixá de cabeça, pode levar em conta principalmente a figura da avó: carinhosa às vezes até em excesso, levando o conceito de mãe ao exagero, mas também ranzinza, preocupada com detalhes, com forte tendência a sair censurando os outros. Não tem muito senso de humor, o que a faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fosse muito mais velha do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural.