sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ORIXÁ OBALUAÊ






Obaluaê é uma flexão dos termos: Oba (rei) – Oluwô (senhor) – Ayiê (terra), ou seja, “Rei, senhor da Terra”. Omulu também é uma flexão dos termos: Omo (filho) – Oluwô (senhor), que quer dizer “ Filho e Senhor”. Obaluaê, o mais moço, é o guerreiro, caçador, lutador. Omulu o mais velho, é o sábio, o feiticeiro, guardião. Porém, ambos têm a mesma regência  e influência. No cotidiano significam a mesma coisa, têm a mesma ligação e são considerados  a mesa força da natureza.
Obaluaê (ou Omulu) é o Sol, a quentura e o calor do astro rei. É o Senhor das pestes, das moléstias contagiosas, ou não. É o rei da Terra, do interior da Terra, e é o Orixá que cobre o rosto com o Filá (de palha – da - Costa), porque para os humanos é proibido ver seu rosto, pela deformação feita pela doença, e pelo respeito que devemos a este poderosíssimo Orixá.
Obaluaê está no organismo, no funcionamento do organismo. Na dor que sentimos pelo mal funcionamento dos órgãos, ou por uma queda, corte ou queimadura.
Obaluaê rege a saúde, os órgãos e o funcionamento destes. A ele devemos nossa saúde e é comum, nas Casas de Santos, se realizar os Eboris de Saúde, que fazem pra trazer saúde para o corpo doente.
O órgão central da regência de Obaluaê é a bexiga, mas está ligado a todos os outros. Ele trata do interior, fundamentalmente, mas cuida também da pele e de suas moléstias.
Divide com Iansã a regência dos cemitérios, pois ele é o Orixá que vem como emissário de Oxalá (princípio ativo da morte), para buscar o espírito desencarnado. É Obaluaê (ou Omulu) que vai mostrar o caminho, servir de guia para aquela alma.
Obaluaê também é o Senhor da Terra e das camadas de seu interior, para onde vamos todos nós. Daí a ligação que tem com os mortos, pois ele é quem vai cuidar do corpo sem vida, e guiar o espírito que deixou aquele corpo. É por isso que Obaluaê e Omulu gostam de coisas passadas, apodrecidas.
O sol também tem a sua regência. Ele também é o Calor provocado pelo sol quente. Há quem diga que não se deve sair à rua quando o Sol está quente sem a proteção de um patuá, a fim de não correr o riscos e não sofrer a ira de Obaluaê, geralmente fatal.
Obaluaê está presente em nosso dia-a-dia, quando sentimos dores, agonia, aflição, ansiedade. Está presente quando sentimos coceira e comichões na pele.Rege também o suor, a transpiração e seus efeitos. Rege aqueles que tem problemas mentais, perturbações nervosas e todos os doentes.
Está presente nos hospitais, casa de saúde, ambulatórios, postos de saúde, clínicas, sempre próximo aos leitos. Rege os mutilados, aleijados, enfermos. Ele proporciona a doença mas, principalmente, a cura, a saúde. É o Orixá da misericórdia.
Obaluaê é à força da Natureza que rege o incômodo de um modo geral. Rege o mal estar, o enjôo, o mal humor, a intranqüilidade. É o Orixá do abafamento e está presente nele, bem como na má digestão e na congestão estomacal. Gera o ácido úrico e seus efeitos.
Obaluaê está presente em todas as enfermidades e sua invocação, nessas horas, pode significar a cura, a recuperação da saúde.

Mitologia
 Filho de Nanã – que abandou por ser doente – foi criado por Iemanjá. É o irmão mais velho de Ossãe, Oxumarê e Ewá; Orixá fundamentalmente Jeje, mas louvado em todas as nações, por sua importância.
Conta-se que, uma vez esquecido por Nanã, fora criado por Iemanjá, que curou das moléstias. Cresceu forte, desenvolveu a arte da caça, tornando-se guerreiro e viajante.
Certo dia, numa de suas jornadas, chegou até uma aldeia, coberto de palha, como sempre viveu. Como todos conheciam sua fama, suas ligações com as moléstias contagiosas, foram barradas antes mesmo de penetrar na aldeia.
-Não o queremos aqui! -  disse o  dirigente da tribo.
- Mas quero apenas água e um pouco de comida, para prosseguir minha viagem. Apenas isso! – respondeu Obaluaê, ou melhor, dizendo Xapanã, nome pelo qual era chamado.
- Vá-se embora, Xapanã! Não precisamos de doença, nem de mazelas em nossa aldeia. Vá procurar água e comida em outro lugar!
E Xapanã, então foi sentar-se no alto do morro próximo. A manhã mal começara e ele ficou, sentado, envolto em palha da costa, observando a subida do sol.
O tempo foi passando, as horas foram-se passando e, ao meio-dia, exatamente, o Sol já escaldante, tornou-se insuportável. A água ficara quente, o alimento se estragava e toda a tribo se contorcia de dor, aflição e agonia. Xapanã a tudo observava, imóvel, como um totem, como um símbolo de palha.
Na aldeia um alvoroço se fez. Uns tinham dores na barriga, outros tinham forte dores de cabeça. Outros, ainda, arrancavam sangue da própria pele, numa coceira incontrolável. Outros agiam como loucos incontrolados. Aos poucos, a morte foi chegando para alguns.
Xapanã apenas assistia...
Parecia que o tempo havia parado ao meio-dia, mas, na verdade, foram três dias de sol quente, pois a noite não chegava. Era apenas sol durante todo o tempo. E durante todo o tempo a aldeia viu-se às voltas com doenças, loucura, sede, fome, morte!
Xapanã, inerte, via tudo, imóvel...
Não agüentando mais, e vendo que Xapanã continuava do alto do pequeno morro observando, o dirigente de aldeia foi até ele suplicar perdão, atirando-se aos seus pés.
- Em nome de Olorun, perdoe-nos! Já não suportamos tanto sofrimento! Tente perdoar, por favor, Senhor Xapanã! Tente perdoar!
De súbito, Xapanã levantou-se, desceu até a aldeia e pisou na terra. Tornou-a fria. Tocou na água, tornou-a também fria; tocou os alimentos e tornou-os novamente comestível; tocou a cabeça de cada um dos aldeões e curou-lhes a doença; tocou os mortos e fez voltar a vida em seus corpos.
Restaurada a normalidade, Xapanã pediu mais uma vez:
-Quero um pouco de água e alguma comida para prosseguir viagem.
Num instante foi-lhe servido o que de melhor havia em toda a aldeia. Deram-lhe, vinhos de palmeira, frutas, carne, legumes, cereais, enfim, o que tinham de melhor.
Voltando-se para os aldeãos, Xapanã deu-lhes uma lição de vida.
-Vivemos num só mundo. Sobre a mesma terra, debaixo do mesmo sol. Somos todos irmãos e devemos ajudar uns aos outros, para que a vida seja mantida. Dar água a quem tem sede, comida a quem tem fome é ajudar a manter a vida.
Voltou-se e partiu. Atrás dele o povo da aldeia gritava:
-Xapanã, Rei  e Senhor da Terra! Xapanã, Obaluaê! Xapanã, Obaluaê! Xapanã, Obaluaê!
Obaluaê que sua benção e proteção nos seja dada sempre!.

Dados
Dia: segunda feira
Data: 13 ou 16 de agosto;
Metal: chumbo;
Cor: preto e branco  e ou preto, branco e vermelho;
Partes do corpo: a pele e os pulmões;
Comida: deburú  (pipoca), abadô (amendoim pilado e torrado), Iatipá (folha de mostarda) e ibêrem (bolo de milho envolvido na folha de bananeira);
Arquétipo: sóbrios, reservados, generosidade destacada,  geniosos, independentes, teimosos, tendência ao masoquismo.
Símbolos: xaxará ou íleo (com que limpa as doenças e os males espirituais)




domingo, 4 de outubro de 2015

Oxum é desmoralizada pelas feiticeiras

Exu correu para avisar Oxum que Oxalá estava a caminho de sua cidade onde pretendia parar e descansar de suas caminhadas pelo mundo. Era uma honra muito grande, portanto seria preciso organizar uma grande recepção à figura tão importante para todos. Ela, então, apressou-se com os preparativos da festa, ordenando a limpeza de todas as casas e lugares públicos da aldeia. Era necessário que os todos os enfeites utilizados fossem da cor branca para a homenagem, pois tudo tinha que estar perfeito, à altura do grande orixá. 


Com tantos afazeres, em tão curto espaço de tempo, Oxum não se lembrou de convidar as Iya-mi Oxorongá, as temíveis feiticeiras, para a grande festa. Elas não perdoaram a desfeita. Sentindo-se muito desprestigiadas, decidiram desmoralizar Oxum perante os convidados.

No dia da chegada de Oxalá, uma delas entrou disfarçada no palácio para colocar, no assento do trono da Oxum, um preparado mágico.

Toda a cidade estava impecavelmente limpa e ornamentada. O palácio de Oxum tinha seus móveis e utensílios cobertos por tecidos de uma alvura imaculada. Branca também seria a cor de todas as roupas utilizadas na cerimônia.

Oxalá finalmente chegou e foi respeitosamente reverenciado numa grande demonstração de fé e admiração ao grande mensageiro da paz. Oxum, sentada em seu trono, esperava com impaciência a entrada de Oxalá em seu palácio, quando lhe ofereceria seu próprio assento. Mas, ao tentar levantar-se, percebeu que estava presa em sua cadeira e, por mais força que fizesse, não conseguia soltar-se. O esforço que empreendeu foi tão grande, que, mesmo ferida, conseguiu ficar em pé, mas uma poça de sangue havia manchado suas roupas e sua cadeira. Oxalá ao ver aquele sangue no trono em que se sentaria, ficou tão contrariado, que saiu imediatamente do recinto, extremamente ofendido.



Oxum, envergonhada, não conseguia entender o acontecido, já que ela mesma tinha cuidado de todos os preparativos. Disfarçadamente saiu e foi consultar o oráculo de Ifá. O jogo, então, lhe revelou que as Iya-mi haviam colocado feitiço em seu assento, por não terem sido convidadas. Exu, a pedido de Oxum, foi em busca do grande pai, para relatar-lhe o ocorrido. Oxalá retornou ao palácio, onde a grande mãe das águas estava sentada de cabeça baixa, muito constrangida. Quando ela o viu, começou a abanar seu abebe, transformando o sangue de suas roupas em penas vermelhas, que, ao voar, caíram sobre a cabeça de todos os que ali estavam. Em reconhecimento ao esforço que ela empreendeu para homenageá-lo, ele aceitou aquela pena vermelha (ekodide), prostrando-se à sua frente, em sinal de agradecimento.

E foi a partir daí que essa pena foi introduzida nos rituais de feitura do Candomblé.








LENDA DE XANGÔ

Xangô era rei de Oió, o mais temido e respeitado de todos os reis. Mesmo assim, um dia seu reino foi atacado por uma grande quantidade de guerreiros que invadiram a cidade violentamente, destruindo tudo e matando soldados e moradores numa tremenda fúria assassina. Xangô reagiu e lutou bravamente durante semanas. Um dia, porém, percebeu que a guerra tornara-se um caminho sem volta. Já havia perdido muitos soldados e a única saída seria entregar sua coroa aos inimigos. Resolveu então procurar por Orunmilá e pedir-lhe um conselho para evitar a derrota quase certa. O adivinho mandou que ele subisse uma pedreira e lá aguardasse, pois receberia do céu a iluminação do que deveria ser feito. Xangô subiu e quando estava no ponto mais alto do terreno foi tomado de extrema fúria. Pegando seu oxê, machado de duas lâminas, começou a quebrar as pedras com grande violência. Estas ao serem quebradas, lançavam raios tão fortes que em instantes transformaram-se em enormes línguas de fogo que, espalhando-se pela cidade, mataram uma grande quantidade de guerreiros inimigos. Os que restaram, apavorados, procuraram os soldados de Xangô e renderam-se imediatamente pedindo clemência. Levados até ao rei, os presos elegeram um emissário para servir-lhes de porta voz. O homem escolhido foi logo se atirando aos pés de Xangô. Desculpou-se pedindo perdão. Humilhando-se, explicou que lutavam, não por vontade própria, e sim forçados por um monarca, vizinho de Oió, que tinha um grande ódio de Xangô e os martirizava impiedosamente. Xangô, altamente perspicaz, enxergou nos olhos do guerreiro que ele falava a verdade e perdoou a todos, aceitando-os como súditos de seu reino. Assim tornou-se conhecido como o orixá justiceiro que perdoa quando defrontado com a verdade, mas que queima com seus raios os mentirosos e delinqüentes.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Doum

Simboliza o ESPÍRITO em sua PRIMEIRA FASE de ENCARNAÇÃO.
Respresenta a criança recém-nascida e por extensão, a primeira infância. A energia pura, o espírito imaculado.
No cristianismo é sempre representada pela imagem dos gêmeos SÃO COSME e SÃO DAMIÃO.
Na Umbanda há uma terceira imagem menor entre os dois santos e representa "DOU" ( ou mais popularmente "DOUM"), o primeiro filho nascido após o parto gêmeo.
No Candomblé são também chamados de IBEIJIS.
Suas ferramentas são brinquedos e guloseimas.
Sua cor é ROSA, a cor rosa da face das crianças.
Tem sua festa em 27 de setembro.

Cosme, Damião e Doum eram trigêmeos e que com a morte de Doum os outros dois irmãos se tornaram determinados em aprender e praticar a medicina para curar a todas as crianças, sempre de forma gratuita. Doum, personifica as crianças com idade de até sete anos de idade, sendo ele o protetor das crianças nessa faixa de idade.

Cosme e Damião e Doum, sincretizam com o Orixá Ibeji e representam as crianças na Umbanda, uma linha de trabalhos muito ligada ao Orixá Oxumaré, que traz em si o arco-íris, as cores, a alegria e a renovação da vida presente em cada criança. Dia 27 de setembro, oferenda, velas azul claro e cor-de-rosa, doces, balas e guaraná ou um bom prato de caruru.

....Por ser uma linha fechada em seus mistérios, não há muito a ser dito sobre a linha das crianças.

....Assim como os caboclos vêm na irradiação de Oxóssi, desenvolvendo seus trabalhos nas linhas de força ativa. São trazidos por Oxalá, Yemanjá, Oxum, etc., os espíritos na forma de crianças para atuarem nas linhas de força dos elementos.

,..Essas “crianças” possuem as características do elemento em que atuam.

...Se trabalham sob a influência do Ar, são alegres e expansivas:

...Se são da linha do elemento Fogo, são irritáveis facilmente

...Se são da Terra, são caladas

;..Se são da linha de Iemanjá ou Oxum, são carinhosas, melodiosas no falar.

....Um elemental é puro quando não comporta os defeitos típicos dos humanos. Mas isso não quer dizer que não possua uma força ativa que possa ser colocada a serviço da humanidade.

...Muitas entidades, que atuam sob as vestes de um espírito infantil, são muito antigas e trazem consigo grandes poderes que escapa à nossa imaginação. Entretanto pelo fato de não serem levadas a sério, o seu poder de ação fica oculto.

...O Orixá das “crianças” ou Erês, é um Guardião de um Ponto de Força do Reino Elementar, e atua sobre toda a humanidade, sem distinção de credos religiosos. Verificamos que em toda a história, grandes mestres da pintura deixaram legado à humanidade obras valiosas com figuras de anjos infantis retratando-os com sensibilidade e demonstrando suas formas com grande pureza.

...Trabalham na linha de Umbanda Sagrada como conselheiros e curadores, com uma pureza peculiar das crianças, fazem seu trabalho com satisfação e alegria.

...Aí está a essência! Como guardiões dos pontos de força do reino elementar, executam seus trabalhos com fortes e puras irradiações na sua origem. Por isso mesmo têm grande facilidade em curar muitas doenças, desde que estas possam ser tratadas com o seu elemento ativo.

...Por isso foram identificados como Cosme e Damião, santos cristãos curadores que trabalham com a magia dos elementos, e como Ibeji, gêmeos encantados do Ritual Africano Antigo.

...Não gostam de desmanchar demandas, nem de fazer desobsessões, preferindo as consultas, e em seu decorrer vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. Por isso são considerados curadores.

....Os espíritos que atuam no reino elementar puro, utilizam-se de nomes que através dos mesmos podemos identifica-los, e ao elemento que utilizam.

....Na Umbanda a “corrente” das crianças é formada por seres “encantados” masculinos e femininos. Estes seres encantados são nossos irmãos mais novos e mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consultas, pois nos alertam sobre os mesmos. Sendo assim, demonstram com sutileza que possuem noções de do que é certo e do que é errado.

....Eles manipulam as energias elementares e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem.

....Na Umbanda, o “mistério criança” é regido pelo Orixá Oxumaré, que é o Orixá da renovação da vida nas dimensões naturais.

Partes retiradas do Livro: “ UMBANDA SAGRADA” de Rubens Saraceni

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

JURAMENTO DE FÉ DA UMBANDA SAGRADA


Eu creio na existência de um Deus único, onipotente, onisciente, oniquerente e onipresente.*
Eu creio na existência dos sagrados Orixás, as divindades de Olorum
(Deus) às quais Ele confiou as Suas qualidades divinas e que são os
seres superiores responsáveis pela concretização de Sua infinita obra
colocada à disposição de todos os seres, de todas as criaturas, e de
todas as espécies que Ele criou.
* Eu creio
 
que
cada um dos Sagrados Orixás é uma divindade unigênita dotada do Poder
Divino de transmitir Sua qualidade e caráter Divino aos seres, às
criaturas, e as espécies. Esse fato que os distingue como auxiliares
diretos do Criador do Universo e Divinos Pais dos seres denominados seus
filhos; regentes das criaturas, denominados seus animais, e das
espécies, denominados seus vegetais, suas plantas e suas folhas.
*
Eu creio na existência de uma essência viva e divina ou corpo etérico
de Olorum (Deus), por meio do qual se manifestam tanto Suas
divindades quanto os espíritos que incorporam nas sessões religiosas
umbandistas. Corpo Divino também é chamado de Espírito Santo por outras
crenças religiosas.
*
 
Eu creio
na imortalidade dos espíritos e na capacidade de se comunicarem com os
encarnados e de influenciá-los positiva ou negativamente.
* Eu creio
 na
existência da incorporaçao mediúnica e no benefício que os espíritos
Luzeiros, incorporados pelos Sagrados Orixás às suas hierarquias
espirituais humanas, trazem a todos os encarnados quando incorporam em
seus mediadores umbandistas.
* Eu creio na evolução dos espíritos e
no aperfeiçoamento consciêncial que a religião Umbanda proporciona a
todos os seus fiéis, adeptos e seguidores.
* Eu creio na existência
de múltiplas faculdades mediúnicas e esforça-me-ei no estudo e no
entendimento delas, pois só assim poderi ensina-las e auxiliar quem
possuir algumas delas e estiver necessitando de ajuda para ordena-las e
fazer o bom uso delas, tanto em seu próprio benefício, quanto de
seus semelhantes
* Eu creio na existência de uma evolução contínua de
toda a Criação Divina e creio que só por intermédio do estudo, da
dedicação e do aprendizado poderei ser útil a essa evolução.
* Eu
creio que, por ter sido gerado por Olorum (Deus) e por ter sido
qualificado por uma de Suas Divindades, sou um ser de origem divina e
dotado de múltiplas qualidades, às quais desenvolverei e aperfeiçoarei,
pois assim, serei útil ao meu Criador, ao meu Orixá e Pai Ancestral, aos
meus semelhantes, meus irmãos e à toda a Criação Divina, da qual sou
parte e sou beneficíario.
* Eu creio em Olorum (Deus) em Suas
Divindades, Senhores Orixás e creio em mim mesmo, pois também sou um ser
de origem divina e sou dotado inteligência, de raciocínio e de razão
para poder diferenciar o bom do ruim, o certo do errado, o justo do
injusto, o divino do profano e o divino do humano. Amém !    
 

Ser Umbandista

Ser umbandista é ser RELIGIOSO e CRISTÃO.
Ser umbandista é ser resignado.
Ser umbandista é ser desprendido e solícito.
Ser umbandista é alterar um conceito e um modo de vida.
Ser umbandista é evitar os costumes e as atitudes que nos afastam da presença de Deus.
Ser
umbandista é ter dedicação total, é ter aprimoramento contínuo e
vigilância duradoura contra as atitudes que nos afastam do bem.
Ser umbandista é ter como meta a caridade, a bondade, a verdade e o amor divino.
Ser
umbandista é ter vontade, ter perseverança para dissipar as
controvérsias e dificuldades que tanto nos afastam do caminho justo e
luminoso.
Enfim, ser umbandista é ser aplicador das leis de Olorum
(Deus) e como Ele, será - sem dúvida - apedrejado por injustiças, pelo
PRECONCEITO, por ignorâncias ou por maledicências, mas, como recompensa,
terá a paz e o verdadeiro significado do sentimento de amor e caridade,
terá a certeza do dever cumprido e a visão da nossa verdadeira missão
como os Ceifeiros de Oxalá (JESUS CRISTO).

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Salve todos os Boiadeiros
Chetúa, Bumba chetá meu boi, Chetúa.
Salve Nosso Senhor Jesus cristo
Salve Nossa Senhora da Guia.
Salve boiadeiro João estradeiro.
 
Os Boiadeiros, de um modo geral, utilizam chapéus de vaqueiros, laços de corda e chicotes de couro, são ágeis e costumam chegar aos terreiros com sua mão direita levantada, girando, como se estivesse laçando, esbravejando a inconfundível toada "êeeee boi" como se ainda estivessem tocando seu rebanho.
Os Boiadeiros
Estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos na Umbanda.
Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, "o caboclo sertanejo". São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro etc.
Os Boiadeiros representam a própria essência da mistura do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.
Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral. Nas caminhadas tocava seu berrante.
Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande.
Segundo alguns estudiosos os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada um (espírito) para seu destino, e trazem os que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do bem.
Boiadeiro_das_Almas

Relação Médium-Guia
A incorporação do Boiadeiro, quase sempre em homens, confere uma virilidade inusitada ao “aparelho” emprestando arrogância, valentia e muita alegria, alegria descompromissada com os interesses atuais. Seu andar gingado parece estar sempre à frente de um boi bravo. Brincalhão, gosta de improvisar trovas e dar música a algumas delas. Nunca se furta a dançar o samba de roda – sambangola – onde se mostra exímio dançarino que, além de agilizar a dança com parceiros físicos, se supera em trejeitos com parceiros astrais, tudo ao mesmo tempo! Gosta comedidamente das coisas certas: beber, fumar, namorar, trabalhar, descansar na rede ou na tarimba, cantar, improvisar repentes; acha que tudo pode ser feito, desde que a ninguém prejudique. É amigo leal de quem o recepciona e mantém com ele laços afetivos.
Força da natureza: apreciam a natureza campestre, cavalos, bois e aves. Despreocupados, confiam no Boiadeiro Maior – Zambi.
Expressão: másculo, jovial, valente, ingênuo, sincero, companheiro, alegre, festeiro, namorador, respeitador, trabalhador.
chetuá Meu amigo Boiadeiro!
Caracteristicas
Bebidasjurema, aluá, meladinha (cachaça, limão e mel), garapa, água de coco e aguardente de boa qualidade.
Comidas secasrapadura, jabá (carne seca), camarões fritos, paçoca, rolete de cana, carne seca desfiada, melaço, torresmo, carne seca frita etc.
Composiçãonão tem estrutura organizada.
Cora gosto da entidade.
Cor da guiacolar de couro, sementes, dentes de animais.
Data comemorativanão possuem. Estão sempre nas giras de festivas de Caboclos ou quando solicitados.
Dia da semanadomingos e feriados.
Ervas utilizadasconhecem um pouco sobre ervas curativas.
Expressãomásculo, jovial, valente, ingênuo, sincero, companheiro, alegre, festeiro, namorador, respeitador, trabalhador.
Floresao gosto da entidade.
Força da naturezaapreciam a natureza campestre, cavalos, bois e aves. Despreocupados, confiam no Boiadeiro Maior – Zambi.
Frutosao gosto da entidade.
Hierarquiaobedecem ao Guia-chefe do Templo onde estão arranchados e ao Boiadeiro-chefe.
Indumentáriagibão de couro, chibata, rebenque ou relho, corda, bota, avental de couro, calça e colete também de couro.
Local preferidoproximidade das propriedades rurais de criação de gado ou lavoura, nos rodeios onde peões se exibem.
Mineralnada específico.
Planetaadmiram o Sol, a Luas e as Estrelas.
Pontos cantadoscatalogados, existem mais de 190 pontos. Dezenas de outros estão perdidos, muitos improvisos não foram decorados ou gravados.
Pontos riscadosnão tem.


Saudação"Xetro Marrumbaxetro ! Xetro Marrumbaxetro ! Xetro Marrumbaxetro !""Getruá ! Getruá ! Getruá !” 
As bebidas oferecidas variam conforme a manifestação:
Boiadeiro nordestino - cerveja, cachaça , os dois em coité
Gaúcho - chimarrão em cuia própria
Pantaneiro - tererê , mate frio em chifre.
Cores velas: Vermelhas e marrom
Oração de Boiadeiro
Chetúa.
Meu amigo Boiadeiro! Tu que guia teu gado pelas porteiras dos caminhosde Ogum, que passa por rios, sob Sol e chuva com seu berrante aanunciar tu chegada, com teu chicote em punho, hábil com o laço e nãodeixa demanda criar ajuda-me nesta hora, abra as porteiras de meuscaminhos, traga no teu laço aqueles que me querem mal, que na suachibata haja justiça de minha causa. Que eu encontre em meus caminhos a solução pros meus pedidos.

Conheça alguns pontos cantados de boiadeiros
PONTOS DE BOIADEIROS

SEU BOIADEIRO SOU EU QUEM LHE CHAMA
VEM ATENDER MEU CHAMADO
SEU BOIADEIRO SOU EU QUEM LHE CHAMA
TU ÉS O MEU ADVOGADO
SEGURA O COURO, OGÃ!
BENDITO SEJA LOUVADO
SEGURA A CANTIGA, MONA
AÍ VEM MEU ADVOGADO!


BARRACÃO TÁ ENFEITADO
MEU DEUS, QUE ZUADA É ESTA?
BOIADEIRO TÁ CHEGANDO
VAMOS ANIMAR A FESTA!


BATE O SINO NA CAPELA
NA ALDEIA DEU SINAL
ELE É SEU BOIADEIRO
É MEU AMIGO LEAL!


CABANA QUER DIZER CASA DE ÍNDIO
CABANA QUER DIZER SEU JACUTÁ
OI SEU BOIADEIRO, ONDE MORA JANAÍNA?
Ô JANAÍNA MORA NAS ONDAS DO MAR?


DE ONDE VEM O CABOCLO DE PENAS?
ELE VEM DO SEU JUREMÁ!
DE ONDE VEM O SEU BOIADEIRO, MINHA GENTE?
ELE VEM DO REINO BENDITO DE OXALÁ!


PASSEANDO NO SERTÃO
A CAVALO OU MESMO A PÉ
ME CHAMARAM NUMA CASA
VOU CORRENDO VER O QUE É!


ELE É BOIADEIRO
É CABOCLO NA JUREMA!
ELE PASSEIA NESTA TERRA
É PORQUE TEM ORDEM SUPREMA!


NA JUREMA TEM UMA LINDA FLOR
NA CACHOEIRA BROTOU LINDA ROSEIRA
NA MATA VIRGEM, SEU BOIADEIRO, Ô JUREMA
COM SEU LAÇO ELE PEGA BOI, ELE GANGA BOI
ELE QUEBRA MADEIRA!


É MALANDRAGEM, MOÇO
É MALANDRAGEM!
JOÃO BOIADEIRO
É UM REI NA MALANDRAGEM, MOÇO!


A UMBANDA TEM MIRONGA
BOIADEIRO TAMBÉM TEM GONGÁ!
SARAVÁ ESTRELA QUE LHE ILUMINA
SARAVÁ, LINDO CABOCLO, SARAVÁ!


JUREMA, JUREMEIRA!
JUREMA CABOCLA DE PENA
CHAMA POR SEU BOIADEIRO
E POR SUA IRMÃ IRACEMA!


QUEM VEM LÁ É ELE! (2X)
NO BATER DA CANCELA
SEU BOIADEIRO É ELE!


EU VI, SINHÔ!
EU VI SIM, SINHÁ!
O CABOCLO BOIADEIRO
VINDO DO SEU JUREMÁ!


LAÇO DE COURO, MEU IRMÃO!
CHAPÉU DE ABA, MEU CAMARADA!
CALÇA ARREGAÇADA, DOU BOA NOITE!
SOU BOIADEIRO, SANTO ARRASTADO!


BOIADEIRO VIVE SÓ
MAS NÃO NEGA SEUS IRMÃOS!
QUANDO CHEGA NA JUREMA
VEM SEMPRE DE PÉ NO CHÃO!
AI AI AI AI
VEM SEMPRE DE PÉ NO CHÃO!


ELE É BOIADEIRO
É DA MINA DO OURO EM PÓ!
QUANDO O SAMBA ESQUENTA MUITO
SABE DANÇAR NUM PÉ SÓ!


TUM TUM TUM
BATEU NA PORTEIRA!
TUM TUM TUM
BATEU NA CANCELA!
CHEGOU BOIADEIRO DE UMBANDA
MENINA SAIA DESTA JANELA!


LAÇOU, LAÇOU, LAÇOU!
LAÇOU O SEU BOI BRABO!
BOIADEIRO NA JUREMA
LAÇOU SEU BOI BRABO!


MAS QUE LINDO CABOCLO CHEGOU!
É UM LINDO CABOCLO LIGEIRO!
SARAVÁ ESTA UMBANDA LINDA!
AQUI CHEGOU O CABOCLO BOIADEIRO!


JÁ LOUVEI BOIADEIRO!
JÁ LOUVEI JESUS!
LOUVEI ESTA CASA SANTA
DA TERRA DE SANTA CRUZ!


QUANDO ELE VEM DO CHAPADÃO ONDE NASCEU!
DAS ÁGUAS CLARAS LINDAS ONDE SE CRIOU!
ELE É UM LINDO CABOCLO BOIADEIRO
NÃO NEGA SEU NATURAL
NÃO NEGA DE ONDE VEIO!


NO ALTO DO LISO LAJEDO
EU VI BOIADEIRO SENTADO!
NA MÃO SEU CHICOTE DE COURO
UM LINDO LAÇO AO SEU LADO
NÃO BEBO MAIS
NÃO TOMO MAIS PARATI
SÓ NÃO LARGO MEU CIGARRO DE PALHA
ENQUANTO EU ESTIVER AQUI!


SEU BOIADEIRO É BOM!
NA UMBANDA É BOM COMO O QUÊ
QUANDO ESTÁ EM CASA DE ANGOLA
ELE É UM CABOCLO XOROQUÊ!


TEMPORAL
VENTA NO SERTÃO, TEMPORAL! (2X)
BOIADEIRO NO SERTÃO, TEMPORAL!


SEU BOIADEIRO NASCEU EM ROMA
EM ROMA NASCEU MESSIAS!
QUE O COROOU COM A COROA DE ZAMBI
SE COROOU É QUE ELE MERECIA!


QUEM PASSOU PELO LAJEDO LÁ NA SERRA
QUEM PASSOU PELO LAJEDO LÁ NA MATA
QUEM PASSOU PELO LAJEDO LÁ DO NORDESTE
E NÃO VIU SEU BOIADEIRO
FOI à ROMA E NÃO VIU O PAPA!


QUEM TEM, QUEM DÁ
QUEM DEU, QUEM DARIA
BOIADEIRO NA JUREMA
É FILHO DA VIRGEM MARIA!


QUEM QUISER SABER MEU NOME
É SÓ PERGUNTAR SEMPRE A DEUS
POIS ME CHAMO BOIADEIRO
FILHO DE SÃO BARTOLOMEU!


O CRUZEIRO DO SUL
ABENÇOOU MINHA MISSÃO
EU ME CHAMO SEU BOIADEIRO
E SÓ ANDO DE PÉ NO CHÃO!


QUEM PASSEIA PELAS MATAS
VÊ SEMPRE LINDO CABOCLO!
QUEM VAGA PELO SERTÃO
COM ROUPAGEM DE ARMEIRO
VÊ O CABOCLO BOIADEIRO!


AS ÁGUAS CORREM PARA O MAR
DO RIACHO OU DA CACHOEIRA
NESTE SAMBA DE CABOCLO
BOIADEIRO ESTÁ NA RODA
MOSTRANDO PASSADA LIGEIRA!


O SEU LAÇO É FORTE!
O SEU COITÉ É LARGO
SOU AMIGO DE BOIADEIRO
QUE ME GUARDA NO MEU CARGO!


ELE VEIO DO SERTÃO
CORRENDO PELAS ESTRADAS!
ESTALANDO SEU CHICOTE
CARREANDO SUA BOIADA!


O SEU LAÇO É FORTE
SEU BASTÃO TOCA A BOIADA!
JOÃO BOIADEIRO É MEU IRMÃO!
IRMÃOZINHO E CAMARADA!


MADRUGADA NA MATA VIRGEM
SABIÁ CANTOU NO GALHO
EU VI UM FORTE CABOCLO
FAZENDO O SEU TRABALHO!
BOIADEIRO DO LAJEDO ELE É!
BOIADEIRO NA JUREMA ELE É!
VENCEDOR DE DEMANDAS ELE É!
O MEU PROTETOR DE FÉ ELE É!


DEBAIXO DO INGAZEIRO
LINDO CABOCLO VERSEJAVA
QUANDO PERGUNTEI SEU NOME
SE ABORRECEU, DISSE QUE NÃO DAVA!
DEPOIS DE MUITA CONVERSA
OLHANDO PRO INGAZEIRO
DISSE UM VERSO E CONFESSOU
EU ME CHAMO BOIADEIRO!


VEM LÁ DO SERTÃO DO AMAZONAS
VEM PRA SARAVAR NESTE TERREIRO
BOIADEIRO CHAPÉU DE COURO
É CABOCLO E BOM GUERREIRO!
QUANDO CHEGA NESTA BANDA
VEM PRA SARAVÁ GONGÁ!
LOUVA O SANTO DA CASA
TOMA ABÊNÇÃO A OXALÁ!


VIM PASSEANDO PELO RIO DE CONTAS
VIM CAMINHANDO POR AQUELA RUA!
OLHA COMO É LINDO
VER BOIADEIRO NO CLARÃO DA LUA!


CORRE A ÁGUA NO AMAZONAS
BRILHA O SOL, REFULGE A LUA!
BOIADEIRO DONO DOS RIOS
VADEANDO PELAS RUAS!
BOIADEIRO É BOM, É MEU IRMÃO!
TRAGO ESTE CABOCLO EM MEU CORAÇÃO!


AS ÁGUAS DA CHUVA AUMENTAM O RIO!
AS DO RIO AUMENTAM A CACHOEIRA!
O DONO DA PEDREIRA É XANGÔ, MEU PAI!
SEU FILHO É BOIADEIRO DA JUREMA!


NUMA ROÇA DE SAMBA
EU SOU BOM SAMBADOR!
NO TERREIRO DE UMBANDA
SOU TRABALHADOR!
TENHO MEU PÉ FIRME
NUM SAMBA BOM
MAS SE DEMANDA SURGE
NÃO PERCO OCASIÃO!


AI, AI, AI...
VALEI-ME SEU BOIADEIRO!
QUEM LHE PEDE, QUEM LHE IMPLORA
É UM FILHO DE TERREIRO!


UMA FLECHA ZUOU LÁ NAS MATAS
UM LAÇO FIRME VEIO DO SERTÃO!
EU VI LINDO CABOCLO DE SAIOTE E PENACHO
EU VI BOIADEIRO DO CHAPADÃO!


MAS QUE LINDO CABOCLO CHEGOU
É UM LINDO CABOCLO LIGEIRO!
SARAVÁ ESTA UMBANDA LINDA!
AQUI CHEGOU O CABOCLO BOIADEIRO!


A FOLHA QUE BOIADEIRO TEM
FOI TIRADA DO PÉ DA GAMELEIRA!
OSSANHE FOI QUEM DEU O AXÉ
PARA TRABALHAR NO SANTO
E PARA TER FORÇA GUERREIRA!


SAMBEI, SAMBEI...
ATÉ ALTA MADRUGADA!
BOIADEIRO É SAMBADOR
SAMBA ATÉ A MADRUGADA!
SAMBOU, SAMBOU
ATÉ ALTA MADRUGADA!
BOIADEIRO TÁ BRINCANDO
IAÔ JÁ TÁ CANSADA!


NA CORRIDA DA VENTANIA
EU VI PASSAR UM CABOCLO MATREIRO!
PROCUREI SABER SEU NOME - XETRUÁ!
UM LINDO BRADO DIZIA EU SOU BOIADEIRO!


FOI NESSE PASSO
QUE EU SAÍ DA MINHA ALDEIA!
COM MEU CHAPÉU DO LADO
MINHA CALÇA ARREGAÇADA...
QUANDO EU SAÍ MINHA MÃE ME ABENÇOOU!


BANDOLÊ OLÊ OLÊ!
BANDOLÊ OLÊ OLÁ!
BANDOLÊ MEU CABOCLO BOIADEIRO
BANDOLÊ OLÊ OLÁ!
DA LARANJA QUERO UM GOMO!
DO LIMÃO QUERO UM PEDAÇO!
DE OLORUN EU QUERO A BÊNÇÃO!
DE BOIADEIRO UM GRANDE ABRAÇO!


DE ONDE VEM O CABOCLO DE PENAS?
ELE VEM DO SEU JUREMÁ!
DE ONDE VEM SEU BOIADEIRO, MINHA GENTE?
ELE VEM DO REINO BENDITO DE OXALÁ!


VALEI-ME, MEU SALVADOR!
VALEI-ME NAS HORAS SANTAS!
EU ROGO PARA BOIADEIRO
VALEI-ME NAS HORAS SANTAS!


VIOLA VEM...
VIOLA VAI!
BOIADEIRO QUE É BOM
NESTE SAMBA NÃO CAI!


MENINA DOS OLHOS LINDOS...
SÃO LINDOS DE NATUREZA!
QUERIA EU SER UM ANJO
PRA BEIJAR ESSA BELEZA!


GRAÇAS A DEUS
ORA MEU DEUS!
LOUVADO SEJA DEUS
ORA MEU DEUS
!

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sexta-feira, 17 de julho de 2015

SALVE NANÃ!!!



Nanã é um Orixá feminino e segundo a tradição, seria mãe de Omulu. É também um Orixá ligado à terra e mais especificamente ao barro, à lama, ou seja , a mistura da terra à água.
Daí já se pode entrever seu significado. Segundo a tradição Yoruba, o barro é o material original do qual o ser humano foi modelado e que no final da vida do ser humano deve novamente ser devolvido à terra.
Ela é mãe e morte ao mesmo tempo, em um ciclo no qual a vida é possibilitada e renovada pela morte. Ao ser lama, ela é mãe da mãe. Por ser Orixá da lama, Nanã também é relacionada com a fertilidade, com a agricultura e com as colheitas. A terra é invocada, na tradição Yoruba, sempre como testemunha de juramentos feitos ou de alianças secretras. Vemos em sua dança representar o gesto de pilar o grão ou de amassar o inhame. Propicia a abundância e a prosperidade.
Ainda como divindade da criação, Nanã está associada igualmente à idéia de maternidade e dança, embalando em seus braços uma criança, representada pelo ibirí que ela segura na mão direita. O ibiri é um tipo de cetro, constituído de ramos de palha da costa, isto é de nervuras de palmeira ou de atóri reunidos por uma tira de pano azul claro onde estão costurados búzios, e cuja ponta é recurvada.
Nanã não se irrita facilmente, porém quando ofendida, é implacável e incapaz de recuar. Dizem que ela é rabugenta, como certas pessoas idosas. Sem vaidade, pouco feminina, é uma mulher sem atrativos, de idade indefinida, velha antes do tempo. Falta-lhe fantasia e é incapaz de amar com paixão, mas pode ser carinhosa. Por medo de amar, de ser abandonada e de sofrer ela dedica sua vida ao trabalho, à vocação, à ambição social. Pode deixar-se dominar pelo egoísmo, o espírito de ganância, o interesse, avareza. Para outros ela é boa e sábia, maternal com a avó, indulgente e tolerante. Ela serve de mediadora entre os homens e seu terrível (para alguns) filho Omulu ao qual transmite os pedidos dos fiéis. É extremamente trabalhadora, gosta de ordem, de limpeza, exigindo de todos, boas maneiras.
Naná é um Orixá muito discreto, e que gosta de se esconder, por esta razão suas filhas podem ter um caráter completamente diferente do dela. Ninguem desconfiaria que são filhas de Nanã, algumas delas vaidosas e dengosas, mais parecem filhas de Oxum.
AS QUALIDADES DE NANÃ

IYÁBAHIN – é uma das qualidades mais temidas (o Orixá da varíola), que veio do Daomé, uma qualidade que usa o vermelho. Iyábahin representa um tipo de mulher sem beleza e sem graça, pesada, desajeitada e que aparenta mais a sua idade. Ligada à terra ela apresenta traço comum, com Oduduwá, é rabugenta, vingativa e implacável em rigorosos princípios morais, guardiã severa dos bons costumes, zela em partcular pela honestidade e o respeito pela palavra dada.
Extraordinariamente trabalhadora e eficiente, mas é intolerante e invejosa. A prosperidade alheia é para ela é uma provocação. Não suporta o luxo, o ócio, a vaidade. Seus hábitos são austeros, despojados, e ela não admite brincadeiras. Geralmente não gosta de homens, representa o tipo da viúva ou desquitada, que trabalhou a vida inteira para educar os filhos. É um tipo autoritário, agressivo e dominador.

OPARÁ - veio do Ketu. É a mãe de Omulu, ligada à terra, temida, agressiva. Constitui um tipo bastante parecido com Iyabahin.
OBAYÁ –é um Orixá ligado à água, à lama, aos pântanos, é a qualidade de Nanã que usa contas de cristal e veio do País Bariba. Obayá constitui, como a precedente, um tipo de mulher desprovido de encantos, austera, velha por temperamento independentemente de sua idade cronológica. É fechada, introvertida e calma. Lenta para irritar-se, e mais lenta ainda para perdoar e esquecer. Leal e honesta, não tolera imoralidade, mentira nem traição. Sabe guardar segredos e odeia indiscrição. Não tem vida sexual ou amorosa. Mas é um tipo simpático e mais meigo que Iyábahin, é maternal, carinhosa, sábia, mãe e avó generosa e devotada. Ama profundamente as crianças e é boa educadora.

AJAOSI – (guardiã da esquerda) é uma Nanã guerreira e agressiva que veio de Ifé, e confunde-se com Obá. É uma divindade das águas doces e que se veste de azul. Também representa um tipo de mulher sem beleza e sem juventude, trabalhadora e combativa séria, perseverante, sem vaidade, boa cozinheira, boa educadora, uma tia ou avó eficiente e prestativa, mas severa. Situa-se a meio caminho entre a rigidez de Iyábahin e a meiguice de Obayá.

AJAPÁ – (guardiã da mata) é um Orixá bastante temido, ligado à lama e à morte, que veio de Savé. Veste-se de azul e branco, usa uma coroa de búzios. Ajapá é associada às profundezas da terra, aos mistérios da morte e do renascimento. Destaca-se como enfermeira, cuida dos velhos e dos doentes, toma conta de moribundos. Nela predominam a razão, a providência, a economia, a tendencia a adquirir e acumular bens.

BURUKU – também é chamada OLUWAIYE (senhora da terra), ou OLOWÒ (senhora do dinheiro), ou ainda OLUSEGBE. Este orixá veio de Alomey, ligada a água doce dos pântanos, usa um ibirí azul. É uma das qualidades mais conhecidas de Nanã, bastante semelhante a Ajaosi, o tipo que ela representa é de uma mulher boa, simples, discreta, sem vaidade, maternal e generosa, mas severa e pouco paciente.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE NANÃ BURUKU
Não tem senso de humor, o que a faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fôsse muito mais velha do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural.
Nanã, através de seus filhos de santo, vive voltada para a comunidade, sempre tentando realizar as vontades e necessidades dos outros. Às vezes, porém , exige atenção e respeito que julga devido mas não obtidos dos que a cercam. Não consegue entender como as pessoas cometem certos enganos triviais, como optam por certas saídas que para um filho de Nanã são evidentemente inadequadas. È o tipo de pessoa que não consegue compreender direito as opiniões alheias nem aceitar que nem todos pensem da mesma forma que ela.
Pierre Verger costumava destacar o lado doce de Nanã: é o arquétipo das pessoas que agem com calma e benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas nos cumprimentos de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade pela frente, para acabar com seus afazeres. Elas gostam de crianças e educam-nas talvez com excesso de doçura emansidão, pois possuem tendências a se comportar com a indulgênciadas avós. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem equilibradas e a pertinência das decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.
LENDAS DE NANÃ


                              

1ª Lenda

A mais significativa, sem dúvida, é a que fala de Oxalá se disfarçando para retirar dela o poder sobre os eguns e consequentemente o poder de deusa suprema de uma localidade que explicamuito bem a dominação da nação (matriarcal) do Daomé (criadora de Nanã) pela cultura patriarcal dos iorubas, dos quais Oxalá é o principal representante.

2ª lenda

Esta cita Nanã como uma mãe terrível que abandonou os filhos de Oxumaré, por nascer com forma de cobra, e Omulú por ser defeituoso. Esta narrativa transfere para Yemanjá a função de cuidar de Omulu: a mãe do panteão iorubá foi quem recolheu um dos filhos da cultura daomeana, mostrando que os dominadores aceitavam os mitos dos dominados, ao mesmo tempo em que destronavam a figura que os ameaçava, a mãe e pai de todos. Nanã mostrada a partir de então como uma megera sem poderes.

3ª lenda

Nanã era rainha de um povo e tinha poder sobre os mortos. Para roubar esse poder, Oxalá casou com ela, mas não ligava para a mulher. Então Nanã fez um feitiço para ter um filho. Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa do feitiço, o filho Omulu nasceu todo deformado. Horrorizada, Nanã jogou-o no mar para que morresse. Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou de novo, Orunmilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para correr mundo. E nasceu Oxumaré, que durante seis meses vive no céu como o arco-íris, e nos outros seis é uma cobra que se arrasta no chão.

4ª lenda

Na aldeia chefiada por Nanã, quando alguem cometia um crime, era amarrado a uma árvore e então Nanã chamava os Eguns para assustá-lo.
Ambicionando esse poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fêz com que ela se apaixonasse por ele. Nanã dividia o reino com ele, mas proibiu sua entrada no Jardim dos Eguns. Mas Oxalá espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos mortos. Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim e ordenou aos Eguns que obedecesse, “ ao homem que vivia com ela” (ele mesmo). Quando Nanã descobriu o golpe quis reagir, mas como estava apaixonada, acabou aceitando o poder com o marido. Hoje no Culto aos Egungun só os homens são iniciados para chamar os eguns.

5ª lenda

Certa vez, os Orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria apontava Ogun, considerando que ele é o Orixá do ferro, que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não é tão importante assim, torceu com as próprias mãos os animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal.
MITOLOGIA DOS ORIXÁS

1) Nanã formece a lama para a modelagem do homem

Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Orixá tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu.
Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. Depedra, a tentativa ainda foi pior.
Fêz fogo e o homem se consumiu. Tentou o azeite, água e até vinho de palma, e nada.
Foi então que Nanã Buruquê veio em seu socorro.
Apontou para o fundo do lago com seu ibiri, seu cetro e arma, e de lá retirou uma porção de lama.
Nanã deu a porção de lama a Oxalá, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as aguas , que é Nanã.


                         

2) Nanã tem um flho com Oxalufã
Nanã era considerada grande justiceira. Qualquer problema que ocorresse, todos a procuravam para ser a juíza das causas. Mas sua imparciabilidade era duvidosa. Os homens temiam a justiça de Nanã, pois se dizia que Nanã só castigava os homens e premiava as mulheres.
Nanã tinha um jardim com um quarto para os eguns que eram comandados por elas. Se alguma mulher reclamava do marido, Nanã mandava prendê-lo.
Batia a parede chamando os eguns. Os eguns assustavam e puiam o marido. Só depois Nanã o libertava.
Ogum foi reclamar a Ifá sobre o que ocorria. Segundo Exu, conhecido como bisbilhoteiro, Nanã queria dizimar os homens.
Os Orixás reunidos resolveram dar um amor para Nanã, para que ela se acalmasse e os deixassem em paz.
O Orixás enviaram Oxalufã nessa missão. Chegando à casa de Nanã, Oxalufã foi servido com ricos alimentos. Mas o velho pediu-lhe que fizesse um suco de igbins, de caracóis. Oxalufã, muito sábio, fez Nanã beber com ele o suco. Nanã bebeu dormiu era, a água que acalma. Assim Nanã foi se acalmando.
Cada dia que passava, Nanã se afeiçoava mais a Oxalufã. Pouco a pouco Nanã foi cedendo aos pedidos de Oxalufã. Mas até então Nanã não havia mostrado a ele o seu jardim.
Um dia, uma mulher queixosa do marido procurou Nanã, e ela, aconsehada por Oxalufã, quis ouvir ambos os cônjuges, não só a mulher, mas também o seu marido.
Nanã tinha se acalmado. Mostrou de vez todo o seu reino à Oxalufã. Mostrou tambem como comandava os eguns. Oxalufã observou tudo.
Um dia, quando Nanã se ausentou de casa, Oxalufã vestiu-se de mulher e foi com os eguns. Com a voz mansa como a da velha, Oxalufã ordenou aos eguns que dali em diante eles atenderiam aos peidos do homem que vivia na casa dela.
E sua volta, Nanã foi surpreendida com a afirmação de Oxalufã, que ele também mandaria nos eguns. Mesmo contrariada, Nanã acatou o dito, pois estava enamorada do velho, queria ter com ele um filho. Mas Oxalufã disse à Nanã que não poderiam ter um filho, pois ambos tinham o mesmo sangue.
Nanã estava inconformada e não aceitou o interdito. Preparou uma comida contendo um pó mágico e fez com que Oxalufã adormecesse. Aproveitando-se do sono de Oxalufã, Nanã deitou-se com ele e engravidou. Quando acordou, Oxalufã ficou muito contrariado. Não podia mais confiar em Nanã, pois ela se aproveitara de seu sono.
E Oxalufã abandonou Nanã, indo viver com Yemanjá.
Dia da semana: terça-feira
Elemento: água de lagoas e manguezais
Pedra: ametista
Saudação: saluba
COMIDAS PARA NANÃ
500g. de quirerinha branca – 01 côco – azeite de oliva
Modo de preparo: Cozinhe a quirerinha com bastante água para que ela fique meio “papa”, tempere com oliva, coloque em uma tigela de louça, descasque , rale o côco com ele cubra a quirerinha.
Farofa de pipoca com amendoim, berinjela, batata doce com mel.
Pudim – amolecer o pão transformando-o em uma pasta, em seguida, junta-se cravo e canela, mais camarão seco. Mistura-se tudo e coloca-se em uma tigela. Cortar couve em tiras bem finas e fritar no dendê. Colocar nas bordas do prato para enfeitar.
Sarapatel – para o sarapatel de Nanã , limpa-se e pica-se os miúdos de porco. Passa-se bastante limão e coloca-se a cozinhar. Prepara-se um tempero com limão, coentro, salsa, cebolinha pimenta-do-reino, cominho, louro e acrescenta-se aos miúdos deixando tudo cozinhar.
Mingau – o mingau para Nanã é preparado com creme de arroz, leite de coco. Depois de pronto colocar em uma tigela e acrescentar uma laranja lima.
Aberém – coloque farinha de milho branca a ferver em banho maria sempre mexendo para não embolar . Fazer bolinhos e colocar em folhas de bananeira. Amarrar e servir em tigela branca.
Acassá – deixa-se o milho branco com água em alguidar novo.
Sem qualquer resíduo até amolecer. Ralando-se depois.
Passa-se numa peneira fina ficando ao cabo de algum tempo a massa no fundo do vaso. Isto pronto escoa-se a água , deitando-se a massa no fogo , com outra água , até cozinhar em ponto grosso, retirando-se com uma colher de madeira pequenas porções que são envolvidas em folhas de bananeira depois de rápido aquecimento no fogo.
Bobó ou Ipete –inhame descascado e cozido,cortado em fatias , fervido em seguida no azeite -de-dendê com camarão ralado , cebola , pimenta malagueta.
Buenguê –cozinhar cangica branca e quando estiver amolecida adoçar com mel. Servir em tigela branca.
Efó – corta-se a erva conhecida por ” língua de vaca ” ou mostarda, pondo ao fogo para ferver com pouca água , feito isto escoa-se e coloca-se de novo na mesma vasilha com cebola , pimenta-malagueta seca , camarões secos e sal . Botar azeite-de-dendê depois de tudo ralado.
Ejá – bastante coentro e cebola, rala-se tudo com sal, até tornar-se pasta em seguida põe-se limão espremido. Bastante peixe e azeite -de-dendê.
Ejá funfun – tempere postas de peixe de água doce com sal , suco de limão e alho esprimido.reserve por melo menos 1 hora.Em uma panela , refogue cebola , óleo de urucum e duas colheres de azeite doce.Reserve.Numa panela de barro untada, com uma colher de azeite, fore a metade da medida da cebola refogada com óleo de urucum e o azeite e metade de tomate picado. Acrescente as postas de peixe sem coloca-las uma por cima da outra.Cubra com o restante de cebola refogada e com o tomate e acrescente o coentro e sal a gosto.Leve a panela tampada ao fogo aproximadamente 25 minutos.
Sacudindo de quando em vez para não grudar os engredientes
Jacicou – cozinha-se camarão com todos os temperos, isto é ,cebola , coentro, tomate , pimentão , sal e azeite Quando amolecer e estiver caldo grosso, com o auxilio do machucador, esmaga-se o camarão. Mistura-se com arroz cozido e farinha de goma até os dedos ficarem limpos. Forma-se bolos que são fritos de preferência no azeite-de-dendê.
Olelé – é feito da mesma massa do acará, temperado com cebola , camarão seco e dendê , depois da massa pronta, o abará é enrolado na folha de bananeira para cozinhar no vapor.
Zoró – ensopa-se o camarão com ervas. Temperar com azeite-de-dendê, salsa, coentro, cebola, cebolinha, e pimenta, tudo bem raladinho.
ERVAS DE NANÃ
Agapanto: É um vegetal pertencente a Oxalá, Nanã e a Obaluaê. O branco é de Oxalá e o lilás é da deusa das chuvas e do orixá das endemias e das epidemias. É também aplicado como ornamento em pejis, e banhos dos filhos destes orixás. Não possui uso na medicina popular.
Altéia – Malvarisco: Muito empregada nos banhos de descarrego e na purificação das pedras dos orixá Nanã, Oxum, Oxumar6e, Iansã e Iemanjá. Muito prestigiada nos bochechos e gargarejos, nas inflamações da boca e garganta.
Angelim-Amargoso – Morcegueira: Pertence a Nanã e Exu. Muito usada em carpintaria, por ser madeira de lei. Folhas e flores são utilizadas nos abô dos filhos de Nanã. As cascas dizem respeito a Exu; elas são aplicadas em banhos fortes de descarrego, com o propósito de destruir os fluidos negativos.
Assa-Peixe: Usada em banhos de limpeza e nos ebori dos filhos do orixá das chuvas. Na medicina popular ela é aplicada nas afecções do aparelho respiratório em forma de xarope. Utilizada como hemostático.
Avenca: Vegetal delicadíssimo e mimoso. Tem emprego nas obrigações de cabeça e nos abô embora ela mereça ser economizada em face de sua delicadeza para ornamento. A medicina popular indica as folhas para debelar catarros brônquios e tosses.
Cedrinho: Este vegetal possui muitas variedades, todas elas pertencentes a deusa das chuvas. Sua aplicação é total na liturgia dos cultos afro-brasileiros. Empregado nas obrigações de cabeça, nos abô, banhos de corpo inteiro e nos de purificação. Excelente abô de ori, tonificador da aura. Em seu uso caseiro combate as disenterias, suas folhas em cozimento em banhos ou chá curam hérnias. É tônico febril rebeldes.
Cipreste: Aplicada nas obrigações de cabeça e nos banhos de purificação e descarrego. A medicina popular indica banhos desta erva para tratar feridas e o chá para curar úlceras.
Gervão: Além de ser folha sagrada de Nanã, também é Xangô. Sem aplicação nas obrigações rituais. A medicina caseira a indica no tratamento das doenças do fígado, levando suas folhas em cozimento adicionando juntamente raízes de erva-tostão. O chá do gervão também debela as doenças dos rins.
Manacá: Seu uso ritualístico se limita aos banhos de descarrego. Muito empregada na magia amorosa. Nesse sentido, ela é usada em banhos misturada com girassol e mil-homens. O chá de suas raízes é utilizado pela medicina caseira para facilitar o fluxo menstrual.
Quaresma – Quaresmeira: Esta arboreta tem aplicação em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de limpeza e purificação dos filhos da deusa das chuvas. Durante o ritual toda a planta é aproveitada, exceto a raiz. A medicina caseira a indica nos males renais e da bexiga, em chá.
Quitoco: Usada em banhos de descarrego ou limpeza. Para a medicina popular esta erva resolve males do estômago, tumores e abscessos. Internamente é usado o chá, nos tumores aplica-se as folhas socadas.


Nanã Boruque

                                                

Nanã Buruquê é representada como a grande avó, de energia amorosa e feminina é a Ela que clamamos quando precisamos nos auto-perdoar e nos libertar do passado.
Ela representa o colo que aconchega, acolhendo amorosamente nossas dores para nos ajudar a transformá-las com sabedoria.
A Orixá Nanã Buruquê rege a maturidade, portanto está sempre associada à maternidade (a vida).
Nanã está na Linha da Evolução, um raio essencial para o crescimento dos seres.
É o pólo magnético negativo, feminino e absorvente e no pólo magnético positivo e masculino está o Orixá Natural Obaluaiyê.
Ela cuida da passagem no estágio evolutivo do ser, adormecendo os espíritos e decantando as suas lembranças com o passado, deixando-os prontos para reencarnarem.
Obaluaiyê, então, é quem estabelece o cordão energético que une o espírito ao corpo (feto) que será recebido no útero materno assim que alcançar o desenvolvimento celular básico (órgãos físicos).
Portanto, o campo preferencial de atuação de Nanã é o racional, pois decanta o emocional dos seres, preparando-os para uma nova "vida". É Ela quem faz esquecer, é Ela quem deixa morrer para renascer.
O seu elemento é a lama do fundo dos rios. Ela é a deusa dos pântanos, da morte (associada à terra, para onde somos levados após a morte) e da transcendência.
Nanã é considerada a mais velha dos Orixás das águas, age com rigor em suas decisões, oferece segurança, mas não aceita traição. É uma figura muito controversa no panteão africano: ora perigosa e vingativa, ora desprovida dos seus maiores poderes, relegada a um segundo plano amargo e sofrido.
Nanã é conhecida por dois nomes distintos: Nanã Buruquê, a Avó de Oxalá, e Nanã Burucum – Nanã Buruku (iku, "morte") - a Mãe de todos os Exus.
Deusa dos rios, lagos e pântanos. A Mãe das águas e das Iabás (Orixás femininos), é a mais velha das mães. É a senhora de muitos búzios, que simboliza a morte por estarem vazios e a fecundidade por lembrarem os órgãos genitais femininos.
Nanã sintetiza em si a vida e a morte, a fecundidade e a riqueza. Seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis e, para os povos jêje, da região do antigo Daomé, Nanã significa mãe. A grande Mãe da Sabedoria.

Data festiva: 26 de julho
Saudação: Saluba Nanã (dona do pote da Terra)
Sincretismo religioso: Nossa Senhora Sant'Ana
Cores: Violeta ou lilás (sabedoria)
Instrumento: Vassoura de palha ou Ibiri (cetro de palha da costa, com talos de dendezeiro e búzios) que ela traz na mão para afastar a morte.
Pedra: Ametista
Ervas principais: assa-peixe, agapanto-lilás, alfavaca, avenca, cedrinho, erva-cidreira, macaçá, manacá, quaresmeira, manjericão da folha roxa, folha de limão, lágrimas de Nossa Senhora (folhas), mastruço, pariparoba, erva-de-santa-luzia, quina roxa, abóbora, vitória-régia, açucena, suma roxa, folha da fortuna, viuvinha (trapoeraba roxa), samambaia, melão de São Caetano, crisântemo branco ou roxo, rosa e palma branca
Oferendas: Velas brancas, roxas e rosas; flores brancas e lilases, champagne rosé, calda de ameixa ou de figo; melancia, uva, figo, ameixa e melão, mingau de sagu, milho branco e arroz, tudo depositado à beira de um lago ou mangue, com muito respeito e amor.
Ponto de força: Pântanos e lama

Lendas de Nanã
No inicio dos tempos os pântanos cobriam quase toda a terra. Faziam parte do reino de Nanã Buruquê e ela tomava conta de tudo como boa soberana que era. Quando todos os reinos foram divididos por Olorun e entregues aos orixás uns passaram a adentrar nos domínios dos outros e muitas discórdias passaram a ocorrer. E foi dessa época que surgiu esta lenda. Ogum precisava chegar ao outro lado de um grande pântano, lá havia uma séria confusão ocorrendo e sua presença era solicitada com urgência. Resolveu então atravessar o lodaçal para não perder tempo. Ao começar a travessia que seria longa e penosa ouviu atrás de si uma voz autoritária: - Volte já para o seu caminho rapaz! - Era Nanã com sua majestosa figura matriarcal que não admitia contrariedades - Para passar por aqui tem que pedir licença! - Como pedir licença? Sou um guerreiro, preciso chegar ao outro lado urgente. Há um povo inteiro que precisa de mim. -Não me interessa o que você é e sua urgência não me diz respeito. Ou pede licença ou não passa. Aprenda a ter consciência do que é respeito ao alheio. Ogum riu com escárnio: - O que uma velha pode fazer contra alguém jovem e forte como eu? Irei passar e nada me impedirá! Nanã imediatamente deu ordem para que a lama tragasse Ogum para impedir seu avanço. O barro agitou-se e de repente começou a se transformar em grande redemoinho de água e lama. Ogum teve muita dificuldade para se livrar da força imensa que o sugava. Todos seus músculos retesavam-se com a violência do embate. Foram longos minutos de uma luta sufocante. Conseguiu sair, no entanto, não conseguiu avançar e sim voltar para a margem. De lá gritou: -Velha feiticeira, você é forte não nego, porém também tenho poderes. Encherei esse barro que chamas de reino com metais pontiagudos e nem você conseguirá atravessa-lo sem que suas carnes sejam totalmente dilaceradas. E assim fez. O enorme pântano transformou-se em uma floresta de facas e espadas que não permitiriam a passagem de mais ninguém. Desse dia em diante Nanã aboliu de suas terras o uso de metais de qualquer espécie. Ficou furiosa por perder parte de seu domínio, mas intimamente orgulhava-se de seu trunfo: - Ogum não passou

NANÃ

A mais velha divindade do panteão, associada às águas paradas, à lama dos pântanos, ao lodo do fundo dos rios e dos mares. O único Orixá que não reconheceu a soberania de Ogum por ser o dono dos metais. É tanto reverenciada como sendo a divindade da vida, como da morte. Seu símbolo é o Íbíri - um feixe de ramos de folha de palmeira  com a ponta curvada e enfeitado com búzios.
Nana é a chuva e a garoa. O banho de chuva é uma lavagem do corpo no seu elemento, uma limpeza de grande força, uma homenagem a este grande orixá.
Nanã Buruquê representa a junção daquilo que foi criado por Deus. Ela é o ponto de contato da terra com as águas, a separação entre o que já existia, a água da terra por mando de Deus, sendo portanto também sua criação simultânea a da criação do mundo.
1.      Com a junção da água e a terra surgiu o Barro.
2.      O Barro com o Sopro Divino representa Movimento.
3.      O Movimento adquire Estrutura.
4.      Movimento e Estrutura surgiu a criação, O Homem.
Portanto, para alguns, Nanã é a Divindade Suprema que junto com Zambi fez parte da criação, sendo ela responsável pelo elemento Barro, que deu forma ao primeiro homem e de todos os seres viventes da terra, e da continuação da existência humana e também da morte, passando por uma transmutação para que se transforme continuamente e nada se perca.
Esta é uma figura muito controvertida do panteão africano. Ora perigosa e vingativa, ora praticamente desprovida de seus maiores poderes, relegada a um segundo plano amargo e sofrido, principalmente ressentido.
Orixá que também rege a Justiça, Nanã não tolera traição, indiscrição, nem roubo. Por ser Orixá muito discreto e gostar de se esconder, suas filhas podem ter um caráter completamente diferente do dela. Por exemplo, ninguém desconfiará que uma dengosa e vaidosa aparente filha de Oxum seria uma filha de Nanã "escondida".
Nanã faz o caminho inverso da mãe da água doce. É ela quem reconduz ao terreno do astral, as almas dos que Oxum colocou no mundo real. É a deusa do reino da morte, sua guardiã, quem possibilita o acesso a esse território do desconhecido.
A senhora do reino da morte é, como elemento, a terra fofa, que recebe os cadáveres, os acalenta e esquenta, numa repetição do ventre, da vida intra-uterina. É, por isso, cercada de muitos mistérios no culto e tratada pelos praticantes da Umbanda e do Candomblé, com menos familiaridade que os Orixás mais extrovertidos como Ogum e Xangô, por exemplo.
Muitos são portanto os mistérios que Nanã esconde, pois nela entram os mortos e através dela são modificados para poderem nascer novamente. Só através da morte é que poderá acontecer para cada um a nova encarnação, para novo nascimento, a vivência de um novo destino – e a responsável por esse período é justamente Nanã. Ela é considerada pelas comunidades da Umbanda e do Candomblé, como uma figura austera, justiceira e absolutamente incapaz de uma brincadeira ou então de alguma forma de explosão emocional. Por isso está sempre presente como testemunha fidedigna das lendas. Jurar por Nanã, por parte de alguém do culto, implica um compromisso muito sério e inquebrantável, pois o Orixá exige de seus filhos-de-santo e de quem a invoca em geral sempre a mesma relação austera que mantém com o mundo.
Nanã forma par com Obaluaiê. E enquanto ela atua na decantação emocional e no adormecimento do espírito que irá encarnar, ele atua na passagem do plano espiritual para o material (encarnação), o envolve em uma irradiação especial, que reduz o corpo energético ao tamanho do feto já formado dentro do útero materno onde está sendo gerado, ao qual já está ligado desde que ocorreu a fecundação.
Este mistério divino que reduz o espírito, é regido por nosso amado pai Obaluaiê, que é o "Senhor das Passagens" de um plano para outro.
Já nossa amada mãe Nanã, envolve o espírito que irá reencarnar em uma irradiação única, que dilui todos os acúmulos energéticos, assim como adormece sua memória, preparando-o para uma nova vida na carne, onde não se lembrará de nada do que já vivenciou. É por isso que Nanã é associada à senilidade, à velhice, que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas que vivenciou na sua vida carnal.
Portanto, um dos campos de atuação de Nanã é a "memória" dos seres. E, se Oxóssi aguça o raciocínio, ela adormece os conhecimentos do espírito para que eles não interfiram com o destino traçado para toda uma encarnação.
Em outra linha da vida, ela é encontrada na menopausa. No inicio desta linha está Oxum estimulando a sexualidade feminina; no meio está Yemanjá, estimulando a maternidade; e no fim está Nanã, paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos.
Esta grande Orixá, mãe e avó, é protetora dos homens e criaturas idosas, padroeira da família, tem o domínio sobre as enchentes, as chuvas, bem como o lodo produzido por essas águas.
Quando dança no Candomblé, ela faz com os braços como se estivesse embalando uma criança. Sua festa é realizada próximo do dia de Santana, e a cerimônia se chama Dança dos Pratos.



Origem

Nanã, é um Orixá feminino de origem daomeana, que foi incorporado há séculos pela mitologia iorubá, quando o povo nagô conquistou o povo do Daomé (atual Republica do Benin) , assimilando sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabelecida.
Resumindo esse processo cultural, Oxalá (mito ioruba ou nagô) continua sendo o pai e quase todos os Orixás. Iemanjá (mito igualmente ioruba) é a mãe de seus filhos (nagô) e Nanã (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos, nunca se questionando a paternidade de Oxalá sobre estes também, paternidade essa que não é original da criação das primeiras lendas do Daomé, onde Oxalá obviamente não existia. Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). Tentou-se, então, acertar essa cronologia com a colocação de Nanã e o nascimento de seus filhos, como fatos anteriores ao encontro de Oxalá e Iemanjá.
É neste contexto, a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroco (ou Tempo), Omolu (ou Obaluaiê) e Oxumarê.


Características

Cor
Roxa ou Lilás (Em algumas casas: branco e o azul)
Fio de Contas
Contas, firmas e miçangas de cristal lilás.
Ervas Manjericão Roxo, Colônia, Ipê Roxo, Folha da Quaresma, Erva de Passarinho, Dama da Noite, Canela de velho, Salsa da Praia, Manacá. (Em algumas casas:  assa peixe, cipreste, erva macaé, dália vermelho escura, folha de berinjela, folha de limoeiro, manacá, rosa vermelho escura, tradescância)
Símbolo
Chuva.
Pontos da Natureza
Lagos, águas profundas, lama, cemitérios, pântanos.
Flores
Todas as flores roxas.
Essências
Lírio, Orquídea, limão, narciso, dália.
Pedras
Ametista, cacoxenita, tanzanita
Metal
Latão ou Níquel
Saúde
Dor de cabeça e Problemas Intestino
Planeta
Lua e Mercúrio
Dia da Semana
Sábado (Em algumas casas: Segunda)
Elemento
Água
Chakra
Frontal e Cervical
Saudação
Saluba Nanã
Bebida
Champanhe
Animais
Cabra, Galinha ou Pata. (Brancas)
Comidas
Feijão Preto com Purê de Batata doce. Aberum. Mungunzá
Numero
13
Data Comemorativa
26 de julho
Sincretismo:
Nossa Senhora Santana
Incompatibilidades:
Lâminas, multidões.
Qualidades:
Ologbo, Borokun, Biodun, Asainán, Elegbe, Susure

A orixá Nanã rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional dos seres. Atua decantando os seres emocionados e preparando-os para uma nova "vida", já mais equilibrada .

As Características Dos Filhos De Nanã

Uma pessoa que tenha Nanã como Orixá de cabeça, pode levar em conta principalmente a figura da avó: carinhosa às vezes até em excesso, levando o conceito de mãe ao exagero, mas também ranzinza, preocupada com detalhes, com forte tendência a sair censurando os outros. Não tem muito senso de humor, o que a faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fosse muito mais velha do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural. Nanã, através de seus filhos-de-santo, vive voltada para a comunidade, sempre tentando realizar as vontades e necessidades dos outros.
Às vezes porém, exige atenção e respeito que julga devido mas não obtido dos que a cercam. Não consegue entender como as pessoas cometem certos enganos triviais, como optam por certas saídas que para um filho de Nanã são evidentemente inadequadas. É o tipo de pessoa que não consegue compreender direito as opiniões alheias, nem aceitar que nem todos pensem da mesma forma que ela.
Suas reações bem equilibradas e a pertinência das decisões, mantém-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.
Todos esses dados indicam também serem os filhos de Nanã, um pouco mais conservadores que o restante da sociedade, desejarem a volta de situações do passado, modos de vida que já se foram. Querem um mundo previsível, estável ou até voltando para trás: são aqueles que reclamam das viagens espaciais, dos novos costumes, da nova moralidade, etc.
Quanto à dados físicos, são pessoas que envelhecem rapidamente, aparentando mais idade do que realmente têm.
Os filhos de Nanã são calmos e benevolentes, agindo sempre com dignidade e gentileza. São pessoas lentas no exercício de seus afazeres, julgando haver tempo para tudo, como se o dia fosse durar uma eternidade. Muito afeiçoadas às crianças, educam-nas com ternura e excesso de mansidão, possuindo tendência a se comportar com a indulgência das avós. Suas reações bem equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça, com segurança e majestade.
O tipo psicológico dos filhos de NANÃ à introvertido e calmo. Seu temperamento é severo e austero. Rabugento, é mais temido do que amado. Pouco feminina, não tem maiores atrativos e à muito afastada da sexualidade. Por medo de amar e de ser abandonada e sofrer, ela dedica sua vida ao trabalho, à vocação, à ambição social.


Cozinha ritualística

Canjica branca
Canjica branca cozida, leite de coco. Colocar a canjica em tigela de louça branca, despejando mel por cima, e uvas brancas, se desejar.

Berinjela com inhame
Berinjela aferventada e cortada verticalmente em 4 partes; Inhames cozidos em água pura, com casca, e cortados em rodelas.; Arrumados em um alguidar vidrado, regado com mel.

Sarapatel
Lava-se miúdos de porco com água e limão. Corta-se em pedaços pequenos e tempera-se com coentro, louro, pimenta do reino, cravos da índia, caldo de limão e sal. Cozinha-se tudo no fogor. Quando tudo estiver macio, junta-se sangue de porco e ferve-se. Sirve-se, acompanhado de farinha de mandioca torrada ou arroz branco.

Paçoca de amendoim
Amendoins torrados e moídos misturados com farinha de mandioca crua, açúcar e uma pitada de sal.
 
Efó
Ferve-se 1 maço bem grande de língua de vaca, espinafre ou beterraba. Depois amassar até virar um purê; Passa-se por uma peneira e espalhe a massa para evaporar toda a água; Depois de seca, coloca-se numa panela, junto com azeite de dendê, camarões secos, pimenta do reino, cebola, alho e sal. Cozinha-se com a panela tampada e em fogo baixo; É servido com arroz branco.

Aberum
Milho torrado e pilado.

Obs. Nanã também recebe:Calda de ameixa ou de figo; melancia, uva, figo, ameixa e melão, tudo depositado à beira de um lago ou mangue.


Lendas de Nanã

Como Nanã Ajudou na Criação do Homem
Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Orixá tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada. Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Oxalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos Orixá povoou a Terra. Mas tem um dia que o homem tem que morrer. O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é seu.